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Crítica: Ezequiel é o único que ainda tem vontade de sorrir com “The Walking Dead”

É a terceira semana consecutiva em que a história não avança. Por mais que ainda queiramos desculpar a série, começa a tornar-se impossível fazer vista grossa a esta catástrofe.

Quem trocava o rei pelo tigre ponha o dedo no ar.
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A cada semana que passa tento encontrar motivos para desculpar o que se passa em “The Walking Dead”, a cada semana que passa tudo fica mais ridículo, despropositado e sem salvação possível. Não há nada que justifique que há três episódios (e esta temporada ainda só teve quatro) se dêem milhares de tiros mas que a história não avance para lado nenhum. Até eu me torno repetitiva a criticar sempre as mesmas coisas mas começa a ser penoso ver erros idênticos todas as semanas e “Some Guy” — transmitido esta segunda-feira, 13 de novembro, pela Fox — foi só mais um exemplo disso. Ezequiel dominou quase o capítulo todo, a morte de Shiva foi mais chata (mas não muito) do que os 30 mil elementos do Reino que se perderam, os zombies parecem avançar cada vez mais devagar (mais ou menos como o ritmo da história), Rick e Daryl tiveram direito a dois ou três minutos de tempo de antena não se sabe bem para quê. Chega como aperitivo? Vamos lá então.

Ezequiel, o homem que quer ser rei mas afinal não quer ser rei

As sequências iniciais dos episódios estão cada vez mais tolas. Depois de expressões faciais em câmara lenta e pessoal a sair do meio de nevoeiro, temos direito a ver em detalhe as entranhas do pessoal do Reino (apanhado de surpresa pelos Salvadores) — uma vez devagar e outra, já depois de sabermos que Ezequiel está vivo, de forma acelerada, para o caso de alguém não ter percebido à primeira. Tudo começa com o ritual do rei a preparar-se para a batalha, seguindo-se um longo discurso sobre motivos para sorrir — de Ezequiel, claro, porque deste lado só tenho vontade de chorar e de ficar momentaneamente surda cada vez que percebo que tenho de ouvir esta personagem. Quando os Salvadores atacam, muitos servem de escudo para proteger Ezequiel (uma pena, sinceramente). É o único que sobrevive e, ferido numa perna, tem de se por a andar dali exatamente no momento em que os antigos amigos viram mortos-vivos. O homem não sabe lutar, claramente, e é apanhado por um Salvador saído diretamente dos anos 80 (não teve tempo para um corte de cabelo mais atual e muito menos para trocar de óculos, coitado). A única coisa que o safa é a chegada do samurai que corta o outro ao meio como se fosse um presunto. Entretanto estão a chegar uns zombies mas não há grande problema porque, à medida que o tempo passa, este pessoal caminha cada vez mais devagar. Entra Carol em ação (já lá iremos) e os três põem-se em fuga, isto até Ezequiel se querer armar em herói e ficar para trás para empatar os walkers. O homem não quer ser rei, pá, quer salvar os outros. Entra Shiva em ação (também já lá iremos) que entrega o corpo não às balas, não à ciência mas a meia dúzia de zombies em câmara lenta (podia jurar que o bicho já tinha despachado de uma vez bem mais do que isso mas ok, vamos acreditar que este era suposto ser o momento emotivo da semana). Resumindo, Ezequiel sai disto tudo com uns arranhões mas com uma experiência riquíssima para alimentar mais uns mil discursos. E isto não vai ser bom para ninguém.

Carol, a única badass que merece destaque

Quantas vezes é que Carol já salvou os outros todos? Várias. Esta foi mais uma e foi a única coisa digna de ver no episódio inteiro — gostei especialmente da parte em que ela se esconde no teto falso e mata três ou quatro inimigos em segundos. Depois dá a volta a mais uns quantos Salvadores e deixa-os escapar com as armas para acudir Ezequiel e o samurai do qual não sei o nome. Má escolha Carol, má escolha. Mas ela sorri (aprendeu com o Rei certamente) porque lá ao fundo ouve a mota de Daryl que rapidamente tratará dos fugitivos.

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