Televisão

Crítica: “Anatomia de Grey” dá-lhe três minutos para começar a chorar

Foi o episódio mais trágico da temporada, certo? Quem acha que vem aí drama ainda maior, grite “eu”.

A coisa é séria quando até Jackson reza.
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180 segundos (ou três minutos) foi o tempo que aguentei até começar a chorar desalmadamente por causa de April Kepner. Vou repetir: April Kepner, uma personagem que sempre me irritou profundamente e que desejei vezes sem conta que fosse despachada sem grandes explicações. Mas isto é “Anatomia de Grey”, a série que nos arranca o coração e nos deixa incapazes de pensar com a cabeça. Mata personagens de maneiras atrozes quando menos esperamos, salva outras quando até a hora do velório já tínhamos agendado e nunca, nunca, é previsível. Isto tudo para dizer que “Cold as Ice” — transmitido esta quarta-feira, 16 de maio, pela Fox Life — é o penúltimo e o mais trágico episódio da temporada mas palpita-me que April se salva no final só para respirarmos de alívio antes de sermos bombardeados com um acontecimento ainda pior.

Pensem comigo: nos teasers deste capítulo já se sabia que os médicos de Grey Sloan Memorial fariam tudo para salvar Kepner, à beira da morte. Mostrando isto tudo assim, o desfecho previsível era que ela se safasse, já que aqui o mais provável é acontecer sempre o oposto do que esperamos. Depois de um dia de manobras de reanimação, de muito choro e de uma recuperação milagrosa, a rapariga está bem e aparentemente sem sequelas. Aparentemente, sim, porque ninguém me tira da cabeça que isto foi tudo para iludir os espectadores. Ah April está óptima, bora lá voltar aos planos para o casamento perfeito de Alex e Jo e pimba, quando menos esperarmos, ela vai morrer em três segundos com uma qualquer condição raríssima que nenhum dos brilhantes cirurgiões à sua volta conseguiu detetar. Vai uma aposta?

Ou isso acontece ou, afinal, quem vai ter um fim trágico é Arizona Robbins. Não acredito que as duas personagens se despeçam da história com um futuro cheio de novos desafios m. Mais uma vez, estamos em “Anatomia de Grey”, quais são as probabilidades de tudo acabar bem?

Robbins já anunciou a Bailey que vai para Nova Iorque e agora cai do céu uma visita da sarcástica Nicole Herman (Geena Davis). Lembram-se dela? A cirurgiã fetal que ensinou tudo a Arizona em tempo record antes de ficar cega (mas viva, salva por Amelia Shepherd, que agora acha que é responsável pela cegueira por ter operado a outra quando ela própria tinha um tumor gigante no cérebro. Dramas, dramas). Herman está de volta porque teme estar novamente doente e para agradecer a Robbins. Afinal, foi graças a ela que definiu um novo rumo para a sua vida: ensinar tudo o que sabe a mais médicos. E quer trabalhar com Arizona. E tem dinheiro de uma bolsa para investir. E até podem fazê-lo em Nova Iorque. Perfeito, não é? Eu diria que é demasiado perfeito e que alguma coisa vai estragar estes planos no último episódio da temporada mas espero mesmo estar enganada.

De volta a April Kepner. O dia começa com alguém, que não vemos, a dar-lhe boleia. Antes ela ainda tem tempo para enviar a toda a gente os convites fofinhos do casamento de Jo e Alex. Entretanto, ao hospital chega outro paciente conhecido, Matthew Taylor — no campeonato das personagens mais desgraçadas da televisão ele vai bem lançado, contando já com um abandono no altar, uma mulher morta, um recém-nascido para cuidar sozinho e agora um gravíssimo acidente de carro. Antes de apagar, pergunta por April e os médicos começam a ficar preocupados. Owen Hunt vai dar com ela no local do acidente em hipotermia e basicamente morta. Nas urgências, toda a gente se reveza a tentar reanimá-la. Maggie entra em pânico quando a vê, quer ir chamar Jackson mas ninguém quer interrompê-lo porque o homem está a meio de uma cirurgia importante.