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Cláudio Ramos: “Aquelas pessoas vão estar no sítio mais seguro do País”

A NiT entrevistou o apresentador da nova edição de “Big Brother”, uma das maiores apostas do ano na televisão nacional.
O programa estreia a 22 de março.

20 anos depois da estreia, chega em breve à TVI a nova versão de “Big Brother”, um dos reality shows mais famosos do mundo, que já teve sete edições em Portugal — tanto com cidadãos anónimos como com celebridades.

“Big Brother 2020” — ou simplesmente “BB 2020” — estreia na estação de Queluz de Baixo a 22 de março, um domingo. É uma produção da Endemol que recebeu mais de 15 mil candidaturas de concorrentes que responderam ao apelo do programa, que procurava “pessoas reais”.

Maria Botelho Moniz, Mafalda de Castro, Marta Cardoso e Ana Garcia Martins também farão parte da equipa que estará a conduzir e a comentar o formato, mas o grande apresentador é Cláudio Ramos, que se mudou da SIC para a TVI para liderar este programa, que é uma das maiores apostas do ano na televisão nacional.

Como forma de anteciparmos a nova edição de “Big Brother”, a NiT entrevistou Cláudio Ramos, que promete que o formato vai estar “muito presente em antena”, em diversos moldes, numa forma “diferente do que as pessoas estão acostumadas a ver”.

Quando recebeu o convite, foi fácil abandonar a SIC e os formatos em que participava para ir apresentar esta nova versão de “Big Brother”?
Quando o Nuno [Santos] me convidou, na minha cabeça tinha a resposta imediata: um sim. Porque este era um formato que eu queria há muito tempo fazer, era uma coisa para a qual eu me estava a preparar há muito tempo, sem saber que me iria aparecer o tal convite. Nesse aspeto, teoricamente, foi fácil. Eu sabia que o queria fazer. Depois há todo um processo que temos de passar que às vezes foi um pouco… difícil de gerir, mais até [pelo lado] emocional. Mas que tentei fazer da melhor maneira. O difícil foi eu e o Nuno e a minha agente guardarmos um segredo durante muito, muito, muito tempo, até termos tudo preparado. Mas a decisão de “vou deixar isto para fazer aquilo” foi praticamente imediata.

Portanto, o mais difícil foi comunicar a decisão ao mundo.
O mais difícil foi aquele momento em que estás em segredo, durante aquele tempo todo, porque foi muito tempo, e continuei a trabalhar na minha vida normal enquanto o Nuno e a minha agente resolviam todo o processo. Eu já sabia que era aquilo que queria mesmo fazer, mas não podíamos dizer nada ainda. O difícil é despedires-te de uma casa onde estás há 18 anos e entrares noutra. Mas a vontade de querer fazer este programa foi superior a tudo isso, e era a altura de o fazer. Embora eu estivesse muito contente com o que estava a fazer, este desafio foi, obviamente, maior.

Ou seja, foi mesmo o gosto pelo formato em si que o levou a tomar a decisão. Até porque foi um dos concorrentes, há vários anos, numa das edições de “Big Brother”.
Exatamente. Se me perguntarem o que é que me levou a tomar a decisão, foi o formato e o desafio. O desafio de um apresentador como eu que está há tanto tempo a fazer day-time… eu queria fazer uma coisa diferente e um formato com o qual me identificasse. Eu sou muito apaixonado por reality shows e o “Big Brother” foi um programa que eu vivi dentro da casa há 18 anos, durante três meses. Eu tinha muito esta vontade.

cláudio ramos
O apresentador já foi concorrente de “Big Brother”.

É um trabalho muito diferente em televisão, estar à frente de um programa destes, não é?
É um programa completamente diferente, não tem nada a ver com o que fiz até agora. Mas quando o Nuno me convidou, houve duas perguntas: “Tens a certeza do convite?” E ele explicou-me as razões do convite; e perguntou-me depois se eu estava preparado. Eu disse que sim, e quem faz day-time está muito preparado para fazer quase todos os horários e formatos. Tem é que haver uma adaptação e uma preparação diferente quando é uma gala que acontece à noite. 

Na prática, quais são as grandes diferenças?
O que muda é que numa gala o público da noite é diferente do público de dia. Obviamente, tens que ter um comportamento diferente. Eu comecei a ter aulas de voz, porque vou estar sozinho num programa que é longo e extenso. No day-time tens a conversa com as pessoas, à noite vai ser com os concorrentes e os familiares. Na prática é adaptares o que tu já fazes a um horário diferente, é como se saísses de um batizado e fosses para um casamento, e tivesses de adaptar a tua indumentária ou forma de estar. Fisicamente, a preparação tem a ver com as tais aulas de voz, que são muito importantes. Vou estar ali durante algum tempo com os olhos postos em mim e quero estar à altura e chegar o melhor possível às pessoas.

Quais são os maiores desafios neste programa?
Acho que o meu maior desafio é conseguir passar esta prova, que estou convencido que vou conseguir passar, mas depende muito do espectador. Por muito bem que tu o faças, por muito bem preparado que estejas, tens que chegar a casa das pessoas e que elas fiquem na nossa companhia. Depois, é muito importante eu conseguir chegar aos concorrentes, e que eles vejam em mim uma pessoa em quem podem confiar. Porque eu sou os olhos deles no mundo cá fora. E ao mesmo tempo sou também os olhos e os ouvidos dos espectadores que querem saber o que se passa dentro da casa. O desafio é conseguires manteres-te numa linha que agrade a todos, mantendo o teu registo, a espontaneidade, aquela graça, porque no fundo foi por causa disso que me vieram buscar, não é? Tens que manter tudo isto agradando aos dois lados. E tenho de provar a mim próprio que valeu a pena este passo que dei.

O facto de já ter sido um participante no formato é uma vantagem grande?
Eu acho que sim, ajuda, porque sei o que se passa naquela casa. Estive há 18 anos lá dentro, e sempre disse que tinha gostado bastante de lá estar, sou das poucas pessoas que têm no currículo que participaram no “Big Brother”, e gosto mesmo daquilo. Acho que quem tem noção do que se passa ali dentro, de como se está, de como se acorda, da noção do tempo, das horas… Estou convencido de que consigo falar com o concorrente de igual para igual, tendo em conta que passei o mesmo que ele. As mesmas angústias, as mesmas ansiedades, os mesmos desejos, e a mesma vontade, que foi de chegar ao fim e fazer uma boa figura.

A partir do momento em que aceitou o convite e começou a preparar o formato, como foi escolher a equipa de pessoas que ia estar consigo?
O Nuno Santos é que escolheu a equipa que trabalha com ele, obviamente, as decisões são tomadas por ele. Eu estou muito por dentro do projeto desde o início, estive na pré-seleção dos castings, depois na seleção final dos concorrentes, fui ouvido durante todas as etapas, mas é muito importante que as pessoas percebam que, parece que sou só eu, mas não, são precisas muitas pessoas para que o programa resulte. Eu mergulhei em tudo o que foi preciso, vi tudo o que havia para ver no estrangeiro, vi os castings todos, estou com as fichas dos concorrentes nas mãos a tentar saber tudo e mais alguma coisa, estamos a planear tudo o que podemos fazer em conteúdos, uma série de coisas. Mas a escolha da equipa foi toda da responsabilidade do Nuno. Ele pode-me perguntar uma coisa ou outra, mas é da responsabilidade do Nuno, obviamente.

Esta edição do “Big Brother 2020” tem sido apresentada como “inovadora”. De que forma é que isso vai acontecer?
A casa onde vivemos na Venda do Pinheiro não tem nada a ver com esta. É muito gira, é muito luminosa, muito grande, é uma casa inteligente e sustentável. Acho que é muito importante que um programa com esta grandiosidade dê o exemplo de que a sustentabilidade é algo importante. Os móveis da casa são todos reciclados. Depois, o leque de concorrentes é brutal. Eles são todos diferentes e muito longe da imagem que ultimamente têm criado de estereótipos de concorrentes de reality shows. São pessoas muito diferentes umas das outras e pessoas que podem estar ao lado da nossa casa, pessoas comuns, mesmo. Estou super apaixonado pelo casting. Se gostas de reality shows, vais ficar preso desde o primeiro momento àquelas pessoas. Muitas delas concorreram porque o apelo era feito a “pessoas reais”. Tu olhas para elas e vês realmente que são pessoas como eu ou como tu.

Cláudio Ramos está “entusiasmado”, embora de olhos postos no mundo.

O surto de coronavírus afetou de alguma forma a produção do programa?
Eu acho que afeta toda a gente e estão a ser tomadas todas as medidas. Ligaram-me há bocado a perguntar se o programa iria ter público. Eu acho que o programa também vive muito do público. Mas por muito importante que o programa seja, por muito que estejamos a apostar no programa, não podemos nunca, sob nenhum ponto de vista, meter a saúde em risco. Nem a nossa nem a das outras pessoas. Não podemos vender uma coisa e depois praticar outra. É preciso ter cautela. Por isso, se for necessário que o programa não tenha público, o programa não tem público. Faz-se um programa para os espectadores em casa. O que não vamos fazer é colocar a vida em risco. É muito mais importante a saúde das pessoas do que um programa de televisão. E estamos a ter a maior cautela com os participantes, com a equipa, no fundo é ter bom senso, como qualquer cidadão devia fazer. 

Como os concorrentes estão fechados numa casa, num isolamento conjunto porque é assim mesmo o formato do programa, foram tomadas medidas especiais por causa desta fase pandémica em que vivemos?
Todas as medidas foram, estão a ser e serão tomadas antes de eles entrarem na casa. Para que se tenha a noção de que aquelas pessoas vão estar no sítio mais seguro do País [risos]. Estão em perfeito isolamento, e não vai entrar ninguém que não esteja capaz ou que vá colocar em risco a vida das outras pessoas. Podem ter a certeza absoluta disso.

Obviamente que é um objetivo, mas acredita que estejam reunidas todas as condições para que este seja um programa decisivo na disputa de audiências?
Eu estou muito convencido de que o programa vá correr bem. Sei obviamente que não é um programa que faz uma estação de televisão. Não vou apresentá-lo convencido de que vou mudar o mundo. Não, vou fazer o meu melhor. Agora, nós queremos fazer uma mudança. É isso que anunciamos e queremos fazer. Mesmo que não mude radicalmente, pelo menos que agite, e isso é que é importante. Que sintam que estamos vivos na TVI. Mas as pessoas não podem pensar que o Cláudio é o salvador da pátria, ou que o “Big Brother” é o salvador da pátria. Não. Vamos fazer um programa que queremos que as pessoas vejam. E os números indicam que vai funcionar, o que é importante para mim, para a estação, para a direção e para o público. Vejo-me a trabalhar desta forma seja na TVI ou noutro canal qualquer. 

Não faltam assim tantos dias para a estreia. Neste momento vivem-se momentos de ansiedade, de entusiasmo?
Entusiasmo. Eu sou uma pessoa ansiosa por natureza, por isso tenho a capacidade de controlar a minha ansiedade com o meu coach. Agora, temos de perceber que estamos a estrear um programa numa altura em que o mundo está suspenso com uma pandemia. Eu vou estrear um programa alegre e satisfeito mas com os olhos no que está a acontecer no mundo. Não nos podemos esquecer, vai haver uma série de condicionantes à volta, o que está a acontecer no mundo implica com tudo. Mas daremos o nosso melhor.