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Cinco temporadas depois, voltei a ver “The Walking Dead” — mas não valeu a pena

A nona temporada da série regressou esta segunda-feira, 11 de fevereiro, à televisão portuguesa.
Danai Gurira também vai abandonar a série.

Há pessoas deitadas no chão e walkers a aproximarem-se perigosamente por todo o lado. O cenário é obscuro, sombrio, há um nevoeiro no ar e não me lembro nunca de ver uma cena tão à Halloween em “The Walking Dead”. Mas a verdade é que parei de ver a série no final da quarta temporada.

Estava saturado com o enredo e os sucessivos grupos de sobreviventes que não paravam de aparecer mas que também não acrescentavam grande coisa à história; os dramas dentro do núcleo inicial de personagens; a ausência de um novo caminho na série — que pudesse abordar mais o tema da cura da epidemia ou do que estava a fazer o resto da humanidade; e os vários diálogos aborrecidos que eram equilibrados com as melhores cenas de ação.

Quando parei de ver “The Walking Dead”, Rick e o seu grupo (pelo menos os que ainda restavam) estavam a chegar a Terminus — um local que se percebeu logo que não seria o oásis seguro que tinha sido prometido.

Agora nem Rick nem outras das personagens icónicas daquela altura estão na série. Safam-se Daryl e Michonne — apesar de já ter sido confirmado que a atriz Danai Gurira vai abandonar a produção.

Decidi dar uma nova hipótese a “The Walking Dead” com o regresso da nona temporada à televisão portuguesa. O novo episódio foi transmitido esta segunda-feira, 11 de fevereiro, a partir das 23h05, no canal Fox.

É precisamente com aquela cena sombria e obscura que tudo recomeça. Mas rapidamente chegamos ao lado mais vulgar da série — o ADN está igual, seja nas cores, na montagem ou no equilíbrio entre diálogos supostamente profundos e cenas de ação relativamente entusiasmantes. A verdade é que os walkers continuam a ser walkers — permanecem os vilões (ou predadores) mais previsíveis da história. Já são familiares, não assustam ninguém.

Aqueles que sempre tiveram hipótese de surpreender, para o bem e para o mal (apesar de ser uma fórmula cada vez mais gasta) foram os novos grupos de sobreviventes. Desta vez a novidade são os Whisperers. Este misterioso grupo de sobreviventes vai estar em destaque na segunda metade da nona temporada.

A sua característica peculiar é que os seus elementos usam máscaras de walkers na cara — e por isso confundem-se com eles, o que os torna imunes ao perigo dos zombies mas letais para os outros humanos. As pessoas em Alexandria estão assustadas com esta nova ameaça e têm razões para isso — no final do episódio temos a primeira oportunidade de ver Alpha, possivelmente a vilã mais aterrorizadora de sempre em “The Walking Dead”, que já tinha sido apresentada num teaser.

Por falar em vilões, e apesar de eu não ter visto as temporadas em que é um dos grandes protagonistas, Negan consegue escapar da prisão em Alexandria e parte na própria aventura a solo. Só que a vida lá fora não é fácil: há walkers que estragam a fruta, a água dos rios não é potável e causa vómitos e há cães esfomeados e perigosos escondidos por todo o lado. Negan parece um daqueles reclusos que está preso há décadas e não se consegue adaptar à vida lá fora quando sai da cadeia — tanto que no final do episódio volta voluntariamente para Alexandria.

Quem deixou escapar Negan foi Judith Grimes, a filha de Rick e Lori Grimes, que chama mãe a Michonne (é novidade para mim, não se esqueçam). Judith é interpretada pela promissora atriz Cailey Fleming e tem a atitude e determinação que precisamos em “The Walking Dead”. É de longe a melhor nova personagem que encontrei neste episódio.

Jesus, que era o líder em Alexandria, morreu e a comunidade está triste. Tara (desta personagem lembro-me) será a nova líder, mas tem de mostrar que está à altura. Em Alexandria capturaram Lydia, membro dos Whisperers, que aos poucos os poderá ajudar a compreender melhor este novo grupo — mas que também promete ser traiçoeira.

Pelo contrário, Alden e o professor Luke (a NiT entrevistou o ator Dan Fogler) foram capturados pelos Whisperers enquanto perseguiam um trilho de setas, supostamente de Yumiko (também entrevistámos a atriz Eleanor Matsuura), que se revelou uma armadilha. Pelo meio vão falando de um festival que aí vem que irá juntar todas as comunidades. Poderá ser este um momento de diversão no meio do aborrecimento que é o apocalipse? Não vi “The Walking Dead” durante cinco anos mas as coisas não mudaram assim tanto. Serviu para me lembrar do porquê de não ver esta série.

Apesar de Rick ter abandonado “The Walking Dead”, esta segunda-feira circulou no Facebook o rumor de que ele estaria internado num hospital em Guimarães. Leia o artigo da NiT sobre o caso.