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“Casados à Primeira Vista”: A Madonna de Odivelas é o maior pesadelo do Hugo

O humorista e cronista da NiTfm Miguel Lambertini analisa o episódio deste domingo do programa da SIC.
Hugo e Ana terminaram a relação.

Oito semanas depois chegámos à última cerimónia de compromisso e já começa a surgir aquela sensação de nostalgia e ao mesmo tempo de alguma irritação porque vamos ter de passar a ver o “Dança com as Estrelas”, na TVI. O que levanta mais um problema: eu ainda não comprei os óculos 3D para poder ver sem ficar enjoado com os vestidos da Rita Pereira. Ainda parece que foi ontem que vimos os casais a chegarem ao primeiro jantar de grupo: o Hugo completamente in love, a Ana a começar a ver a vida a andar para trás, a Eliana a tentar perceber porque é que a Ana está a olhar tanto para o Dave, o Dave a tentar que não confundam o seu cabelo com um prato de trouxas de ovos, a Daniela em transe de paixão pelo Daniel, o Daniel a fingir que está apaixonado pela Daniela, a Lídia a achar um piadão ir jantar com humanos, o Francisco a achar que afinal o casamento até é capaz de resultar, a Graça a desfilar o seu “conde”, o José Luis a fazer contas à vida com medo de ter de pagar o jantar, a Sónia a destilar veneno à espera que ele caia na sopa do João e o João a tentar aguentar só mais um minuto no programa sem ser enxovalhado publicamente.

Agora as coisas mudaram bastante e chegou a altura de decidir se os casais querem ficar para renovar os votos ou pedir o divórcio. Parece-me muito pouco provável que algum dos casais queira manter o seu relacionamento, mas também nunca pensei poder dizer “olha, a Graça está gira” e a verdade é que ontem saíram essas palavras da minha boca. Por isso, teremos de aguardar para ver ou, em alternativa, acreditar no que dizem as revistas “cor-de-rosa” — mas isso é mais arriscado do que ir andar de elétrico para a Lapa.

Os casais tiveram uma semana de grande intensidade que começou com um acampamento, perdão camping — não se pode dizer em português senão percebe-se que é realmente uma atividade pobre — onde puderam realizar várias provas ao ar-livre, entre elas jogar às escondidas, uma vez que Hugo decidiu desaparecer durante um par de horas, situação que deixou Ana “muitíssimo preocupada”. Ela estava tão preocupada que teve de ser a Daniela a ir procurar o Hugo, não fosse ele ter atacado algum animal com a sua sede de intimidade.

O último jantar

Os casais chegam ao último jantar com uma postura muito serena e um sentimento que me parece ser um misto de nostalgia e alívio. No fundo, já ninguém tem paciência para brincar aos casamentos e agora já quase todos se refugiaram no “coito”. Embora não no sentido literal da palavra, com grande pena do Hugo. Nos sofás fazem-se as conversas habituais e cada um tenta perceber o quão mau está o seu casamento em comparação com os outros. Claro que o Hugo e a Ana ganham sempre, mas ninguém gosta de ficar para trás.

É como aquelas conversas entre velhotas na paragem do autocarro:

— Então dona Emilia, como é que está das suas artroses?

— Ai, muito mal, isto com o tempo assim já se sabe que piora, eu qualquer dia dá-me a travadinha e aí é que vai ser o cabo dos trabalhos. E a dona Cremilda já melhorou da sua barriguita?

— Ui, nem me fale, fui operada no mês passado, mas agora parece que há para aqui uma trapalhada qualquer, os meus filhos dizem que não, mas eu sei que não estou capaz… Olhe é como dizia a minha mãe, que Deus a guarde, é viver um dia de cada vez.

— Ooooooooooora bem…

Depois admiram-se que há acidentes e descarrilamentos, pois claro. Então os motoristas da Carris são massacrados com isto o dia inteiro. Muito dedicados são eles, eu ao primeiro “não somos nada…” atirava o autocarro contra uma árvore.

Em jeito de resumo da semana, Eliana comenta que o que gostou mais foi do chá em casa da Graça, onde puderam comer os “skites, skots, scones ou lá como é que se chama”. A Eliana viveu fechada na cave de uma vivenda nas Caldas da Rainha durante anos e conseguiu fugir para participar neste programa, só pode.

O jantar foi diferente do costume.