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“Casados à Primeira Vista”: A Sónia e o hamster João voltaram — o Hugo ficou com a mãe

O humorista e cronista da NiTfm Miguel Lambertini analisa o episódio deste domingo do programa da SIC.
O programa sensação chegou ao fim.

Chegou ao fim aquele que foi o programa sensação da televisão portuguesa em 2018. Ao longo de três meses, sete casais confiaram na ciência e na razão para tentar encontrar o amor, mas como disse Saint-Exupéry: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.” É certo que o escritor francês tinha cinco dioptrias em cada vista, mas a verdade é que esta experiência comprovou que estava correto.

O episódio da semana passada seguiu a lógica das séries de televisão e assumiu-se como um especial de Natal. Não houve por isso a tensão da Cerimónia de Compromisso. Houve apenas um jantar de Natal bem disposto e sem grandes momentos de confronto. Foi também o primeiro episódio sem a Ana e o Hugo e a verdade é que eu senti falta daquele duo dinâmico. Com Diana Chaves já na sala de jantar, os primeiros a chegarem ao local foram os especialistas, que com um look mais descontraído mostraram-se entusiasmados por irem jantar com as suas cobaias. Depois começaram a aparecer os casais vestidos com umas camisolas de Natal muito giras e que pareciam saídas de um filme do Adam Sandler.

Durante o jantar cada um partilhou as suas tradições familiares, como o que comem à consoada, quando abrem os presentes ou quem faz de Pai Natal. A Eliana recordou a importância da presença dos avós — como o seu: “Era alguém que sabia tudo. Eu podia perguntar como é que se chamava o cão do fotógrafo do D. Afonso Henriques. O meu avô sabia de certeza.” A Eliana é só rir… toda a gente sabe que o D. Afonso Henriques era alérgico ao pêlo! Por isso é que as fotografias do primeiro rei de Portugal com animais são muito raras.

No final do jantar tivemos o clássico momento de troca de presentes com essa dinâmica espetacular que é o “amigo secreto”. A maior parte das pessoas teve o cuidado de oferecer um presente que tivesse algum significado para quem o recebia. A Graça ofereceu à Eliana uma loção com aroma de chocolate (esperemos que a Eliana não confunda loção com degustação), o Dave deu um cachecol do FC Porto ao José Luís (boooooo), o Daniel deu cristais de amor eterno e amizade ao Dave (provavelmente uns que a Daniela tinha para lá perdidos numa gaveta), a Eliana ofereceu à Daniela uma caixa de chocolates (mais impessoal do que isto só mesmo um envelopinho com uma nota de 10€ que as tias-avós oferecem). A Isabel ofereceu umas algemas felpudas à Graça (que provavelmente ela vai usar para prender a sogra no quarto), a Daniela ofereceu umas raquetes de ping-pong miniatura ao Cláudio e uns enfeites de Natal para pôr na barba e comentou: “Pelo menos tentei saber o que a pessoa gosta e oferecer algo personalizado”. Percebeste a boca, Eliana? O melhor presente foi o que o Cláudio ofereceu ao Daniel: umas cuecas profissionais de stripper. O Daniel tentou não mostrar grande entusiasmo mas todos percebemos que, por dentro, ele estava todo contente já a imaginar-se só de cuecas e máscara… e saltos altos.

O último episódio de “Casados à Primeira Vista” foi dividido em duas partes. Na primeira, os casais fizeram um resumo do que foram os dois meses de casamento, comentando aquilo que já tinham comentado em todos os episódios anteriores. Portanto, foi o que em televisão se denomina tecnicamente como “encher chouriços” — ou “encher chouriças”, no caso do Porto Canal. Depois disso pudemos ficar a saber qual era o sentimento de alguns deles relativamente à renovação dos votos. Na segunda parte todos os casais voltaram a estar reunidos nos sofás, à excepção do Hugo que provavelmente está a decorar a cave lá de casa com os recortes da Ana que saem nas revistas.

Graça reuniu as suas amigas e o filho para tentar aconselhar-se sobre a decisão que tinha de tomar na cerimónia de renovação de votos. A “diva” diz que o seu “conde” mudou muito e as diferenças que os afastaram atenuaram-se. Mas a sua amiga Rosarinho não vai na conversa e comenta: “Não há gajo nenhum que mude o carácter e as atitudes em dois meses. É tudo mentira.” Já a outra amiga de Graça tem uma opinião mais favorável: “Quando estiveste doente ele tratou muito bem de ti.” Graça confirma: “Até foi ele que viu que eu estava com febre e tudo”. E aqui a conversa descamba para ambiente de oficina de automóveis da Areosa. “Como, pôs-te o termómetro?”, pergunta uma das amigas em tom malandrão. Graça responde: “Ó filho, tapa os ouvidos: uma coisa é certa ele tem um termómetro muito jeitoso.” Visivelmente envergonhado, o filho solta um “ai meu Deus”. Coitado do rapaz, ouvir os pais fazerem trocadilhos sexuais deve ser das experiências mais constrangedoras a que um filho pode ser sujeito. Pior do que isso só mesmo ter como pais pessoas que acham fixe dar nomes como Lyonce Viktórya, Lonô, Caetana ou Concha (sim, os betos também gostam de brincar ao jogo dos nomes diferentes).

Os maridos na última semana do programa.