Televisão

Se “Breaking Bad” e “Bloodline” tivessem um filho, seria “Ozark”

Pessoas banais que fazem coisas horríveis e um cenário idílico onde convivem demasiados segredos. Primeira temporada está disponível na Netflix desde 21 de julho.

A primeira temporada tem 10 episódios.

“Ozark”, nascido a 21 de julho de 2017, filho de “Breaking Bad” (2008-2013), falecido após uma vida intensa e de excessos, e de “Bloodline” (2015-2017), cujas máquinas foram desligadas por decisão da família Netflix depois de uma curta e discreta doença. A biografia da série que estreia esta sexta-feira podia começar assim porque ela junta tudo o que havia de melhor nestas duas produções.

A história começa em Chicago mas rapidamente se muda para um cenário saído de um postal, mais ou menos como Florida Keys (“Bloodline), chamado Ozarks, no estado do Missouri. É lá que um consultor financeiro, Marty Byrde (Jason Bateman), se instala com a família para recomeçar do zero — ou melhor, para pagar uma dívida a um traficante de droga de quem, na verdade, nunca se libertará.

Um homem banal, até um pouco totó, que se vê cada vez mais envolvido no mundo do crime. Diz-lhe alguma coisa? Byrde pode muito bem vir a ser o novo Walter White, de “Breaking Bad”, e num dos primeiros episódios dá uma lição bastante detalhada sobre como lavar dinheiro. O genérico, de apenas um ou dois segundos, também faz lembrar a série protagonizada por Bryan Cranston. Em vez da fórmula química vemos aparecer a letra O, de “Ozark”. Lá dentro o espaço é dividido em quatro ilustrações, pistas para o que o episódio vai contar.

A primeira temporada está dividida em 10 partes, todas disponíveis desde 21 de julho na Netflix. A NiT já viu cinco e explica-lhe porque vale a pena seguir “Ozark”, quem faz parte do elenco, que personagem se vai destacar e porque é que se multiplicam os elogios dos críticos.

Qual é a história?

Marty Byrde é um consultor financeiro, trabalha em Chicago e vive nos subúrbios. Atrás desta vida aparentemente banal e até chata está escondida uma parceria com um cartel de droga mexicano, para o qual lava dinheiro há anos. O problema é que também lhes roubou uns quantos milhões e agora muda-se para a mais discreta localidade de Ozarks, cheia de turistas no verão, para tentar transformar os poucos em muitos milhões e evitar ser chacinado pelos criminosos.

Quem faz parte do elenco?

Jason Bateman é o protagonista, Marty Byrde. O ator é conhecido pelos papéis de comédia (“Chefes Intragáveis”, “Arrested Development”) e aqui apresenta-se num registo completamente diferente. É difícil acreditar logo nos primeiros capítulos que está à altura mas a culpa é do nosso cérebro, formatado para o ver em certos papéis.

Ao lado dele está Laura Linney, que faz de Wendy, a mulher suburbana que trocou a carreira para ficar em casa a tomar conta dos filhos e do marido. A realidade pode não ser bem assim e ela será, de certeza, uma das melhores personagens da série — só lhe dizemos que toda a história que escala à volta de um simples gelado de pistácio lança o tom para o futuro.

Os filhos, Charlotte e Jonah, são interpretados por Sofia Hublitz (“Louie”) e Skylar Gaertner (“Demolidor”), respetivamente. O detetive sinistro e sociopata Roy Petty está a cargo de Jason Butler Harner (“Ray Donovan”).

Quem criou a história?

A série saiu da cabeça de dois homens. Bill Dubuque, responsável por filmes como “O Juiz” ou “The Accountant — Acerto de Contas”, escreveu o guião, e Mark Williams (“Estratégia Brilhante”) juntou-se como produtor. Jason Bateman não só é o protagonista, como é também produtor executivo e realizou metade da primeira temporada.

Por que vale a pena ver?

Pessoas banais que se vêem encurraladas em situações impossíveis ou que escondem segredos capazes de arruinar tudo o que construíram. A ideia não é nova mas fazer com que resulte a longo prazo é uma espécie de arte que só séries como “Breaking Bad” conseguiram concretizar. Marty Byrde é capaz de ser mais banal e afável do que Walter White mas, na sua vida dupla, até que limite será capaz de ir? Ainda é cedo para dizê-lo mas o nosso palpite é que, a dada altura, essa fronteira já nem sequer lhe vai interessar.

Por outro lado, os cenários são paradisíacos. Há personagens a viverem numa realidade completamente diferente, a aproveitarem as suas vidas pacatas ou as férias, enquanto mesmo à frente dos seus olhos se cometem crimes macabros. Tudo isto torna a história sinistra, viciante e até os planos parecem ter sempre uma cor cinzenta que transporta o espectador para um mundo obscuro.

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