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“Black Summer”: a Netflix já tem uma série de zombies (mas parece um barrete)

Tem oito episódios e a protagonista é a atriz Jaime King. Chegou à plataforma de streaming a 11 de abril.
Jaime King é a principal personagem.

Se usa a sua conta na Netflix para ver “The Walking Dead” — mesmo que não seja um projeto original da plataforma de streaming — de certeza que nos últimos dias lhe apareceu a sugestão para ver uma nova série, “Black Summer”.

Estreou na quinta-feira, 11 de abril, e também tem uma história sobre zombies, apesar de ter algumas características bizarras. A primeira temporada (ainda não foi confirmado se haverá uma segunda) tem oito episódios.

Os elementos estranhos sobre “Black Summer” começam logo com a duração dos vários capítulos. O primeiro episódio tem 45 minutos, mas o último, do grande final, só tem 20. Entre eles há capítulos de 25, 30 ou 40 minutos. Os episódios, por sua vez, estão divididos em partes (com títulos) que podem ir de um a dez minutos. No total tem entre três a quatro horas — no fundo, é como se fosse um filme enorme.

A personagem mais próxima de ser protagonista é Rose (Jaime King), uma mãe que quer reencontrar a filha perdida, mas a série acompanha vários sobreviventes. Tradicionalmente, há dois tipos de histórias de zombies ou de cenários pós-apocalíticos com criaturas sobrenaturais: aquelas que mostram como a epidemia começou e infetou o mundo, e as que se passam bastante tempo depois disso, quando o “normal” é existir num modo de sobrevivência constante num mundo em ruínas. “The Walking Dead” fez a ponte entre as duas hipóteses.

As várias narrativas de cada personagem vão-se intersectando, mas nada dura muito tempo porque as mortes são frequentes. Personagens que à partida são principais morrem cedo; as secundárias tornam-se mais relevantes e a partir daí ficamos a acompanhar o percurso delas. O grande objetivo de toda a gente é chegar ao estádio no centro daquela cidade americana (que não sabemos exatamente qual é), onde deverão estar os seus familiares e amigos. Parece que aquele local se tornou uma espécie de abrigo comunitário.

Como o próprio título explica, “Black Summer” passa-se no verão e inicialmente foi pensada como uma prequela distante de “Z Nation”, a série cómica do Syfy que também acontece num mundo infestado por zombies. Neste caso, porém, é um drama de ação. A história tem várias cenas em que os protagonistas simplesmente têm de escapar de zombies e tudo está um caos completo.

Os zombies desta história são, digamos, peculiares. Ao contrário da maioria dos filmes e séries em que estas criaturas são retratadas, estes são zombies rápidos (como em “WWZ: Guerra Mundial”). Eles correm e perseguem rapidamente as pessoas — tanto que, se fossem humanos normais, seriam atletas olímpicos.

Quando mordem alguém, a vítima torna-se zombie. E aqui também está em vigor aquela regra de “The Walking Dead” que quando alguém morre — mesmo que não esteja contaminado — transforma-se em zombie. Só que é incrivelmente rápido. Não há sequer uma pausa.

Tiros de arma na cabeça continuam a ser a melhor forma de os parar, mas estes zombies são bastante resistentes e não conseguem ser mortos com um simples objeto afiado, como em “The Walking Dead”. Se tivermos isto em conta e a sua velocidade, um ou dois destes predadores valem por um grupo com dezenas destes mortos-vivos na série do AMC que está na nona temporada.

A revista “Forbes” publicou uma crítica pouco elogiosa a “Black Summer”. “Os zombies são essencialmente apenas atores com olhos brancos e sangue na cara a correr e a gritar por todo o lado. Não há próteses, nem maquilhagem a sério de monstros. Não há zombies a deambular apenas com um braço ou meio queimados pelo fogo. Só uma quantidade enorme de pessoas malucas a gritar, o que não se parece com uma ameaça terrível, por mais perigoso que seja.”

Outro dos pontos criticados pela revista americana tem a ver com a edição. “A série parece que está desesperadamente à procura de provocar mudanças, a adicionar e subtrair personagens, que não há mais de dois ou três episódios para as conhecer. E a edição também faz com que haja saltos estranhos no tempo.”

No site Rotten Tomatoes, que aglomera as classificações de todas as críticas, “Black Summer” tem uma pontuação de 50 por cento de textos positivos. No voto do público do portal IMDB, soma 6.1 numa escala de zero a dez.

O elenco da série criada por John Hyams e Karl Schaefer inclui ainda Justin Chu Cary, Christine Lee, Sal Velez Jr., Kelsey Flower, Erika Hau, Gwynyth Walsh, Edsson Morales e Tom Carey, entre outros.