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Assistimos às gravações de “Dr. Saúde”, o novo programa da SIC

Pedro Lopes é médico e apresenta uma emissão em direto de segunda a sexta-feira. Teve ensaios com Júlia Pinheiro e os pacientes gabam-se dele como se fosse um filho.

Programa substitui "Juntos à Tarde".

Chama-se “Dr. Saúde” mas podia perfeitamente ser “Dr. Sorriso” ou “Dr. Simpatia”. Não seria exagerado nem irónico, Pedro Lopes transmite realmente boa-disposição, mesmo a poucos minutos de entrar em direto.

É sexta-feira, 2 de março, e está a terminar a primeira semana do novo programa das tardes da SIC — que substitui “Juntos à Tarde” e é transmitido poucos minutos depois das 18 horas — mas não parece, tendo em conta a descontração do médico de clínica geral. Aqui é também apresentador e, durante cerca de uma hora, fala de inúmeros problemas de saúde, explica as razões, dá dicas, mostra exemplos práticos e tem convidados.

Antes da estreia, a 26 de fevereiro, houve três meses de trabalho de bastidores — foi preciso decidir temas, arranjar especialistas, preparar animações em 3D ou adereços. Durante esse período houve também um apoio essencial, Júlia Pinheiro. Fez ensaios com Pedro Lopes e deu-lhe conselhos. Há um do qual ele nunca se esquece antes de começar um programa: sorrir.

“Ela, além de ser uma pessoa extraordinária, é um monstro da televisão. Ter oportunidade de ter esse período de testes foi uma ótima preparação”, revela à NiT quando nos recebe nos camarins meia hora antes da quinta emissão.

Na verdade, o médico não é propriamente desconhecido para o público. Começou no “Mais Mulher”, apresentado por Ana Rita Clara na SIC Mulher, e participou depois em rubricas dos programas de daytime (incluindo “Queridas Manhãs”, com Júlia Pinheiro).

“Este desafio de apresentar o ‘Dr. Saúde’ acabou por ser uma consequência natural mas foi uma surpresa também”, explica à NiT.

Todos os dias usa bata branca e um pijama cirúrgico de cor diferente. À sexta é azul

O formato é dividido em vários segmentos, bastante curtos e dinâmicos. No dia em que visitamos os estúdios fala-se de enxaquecas, dores de costas e de parto. No público são escolhidos voluntários que contribuem com experiências pessoais sobre os temas, há um homem convidado que se sujeitou a testar dores semelhantes a contrações e uma médica especialista ajuda a entender vários tipos de problemas de costas.

“Falámos de parto mas muito pouco de gravidez para podermos voltar a estas temáticas de outra perspetiva”, diz já depois do fim do direto.

O discurso que usa quando fala para as câmaras é simples, exatamente como faz durante as suas consultas na Clínica Milénio, em Lisboa. Contudo, reconhece a falta dessa preocupação em grande parte dos médicos.

“Tento sempre pensar que estou a fazer uma consulta só que, em vez de ter um paciente, tenho milhares de pessoas a assistir. Nas consultas faz sentido tirar os ecrãs do computador da frente e olhar para os doentes nos olhos, tento trazer esse lado humano para aqui.”

Em apenas uma semana receberam centenas de questões através do email e das redes sociais. “Muitas pessoas procuram palavras de apoio virtualmente, o que quer dizer que os cuidados de saúde não estão a cumprir a sua missão”, lamenta.

Houve um caso específico que o marcou: “O desconhecimento faz com que uma mulher que tem psoríase e está à espera de consulta há dois anos, não pegue no filho porque tem medo de contagiá-lo. O médico que fez o diagnóstico àquela senhora não teve o cuidado de lhe explicar que não era contagioso.”