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Novas séries da Netflix: “The I-Land” é absurdo, mas não perca “Unbelievable”

Vimos o primeiro episódio de cada uma das história e explicamos qual é a melhor opção para ocupar o seu tempo.
"Unbelievable" sim, "The I-Land" não.

A Netflix apresentou duas novas séries a 13 de setembro. “The I-Land” tem uma história de ficção científica, já “Unbelievable” é uma produção criminal baseada em factos verídicos. Apesar de terem estreado no mesmo dia, não são nada parecidas. A NiT assistiu ao primeiro episódio de cada uma e explica o que é que vale a pena ver.

Estávamos de mente bastante aberta em relação às duas produções. Por um lado, “The I-Land” tinha sido apresentada como uma mistura de “Perdidos” com os documentários sobre o trágico e surreal (e por vezes hilariante) Fyre Festival. Por outro, “Unbelievable” já está a ser comparada a “True Detective”.

Ambas podiam ter potencial — mas nem por isso. Comecemos com “The I-Land”, série de sete episódios que tem como realizador Jonathan Scarfe, de “Van Helsing”, e um guião escrito por Lucy Teitler, de “Mr. Robot”.

Dez pessoas acordam numa ilha paradisíaca. Não se conhecem umas às outras, não sabem o que estão ali a fazer nem como foram ali parar — aliás, não fazem a mínima ideia de coisas básicas, como o próprio nome ou, por exemplo, se sabem nadar. Cada uma acorda com um objeto ao seu lado, seja uma faca ou uma concha daquelas que servem como trombeta. 

Se esta fosse uma série minimamente realista, o mais provável é que as personagens entrassem em pânico, tentassem encontrar respostas o mais rapidamente possível, desconfiassem imenso de tudo aquilo que lhes estava a acontecer. 

Só que não é. Na situação em que se encontram, as dez personagens começam a namoriscar umas com as outras, criam grupinhos logo de início, dizem que o melhor é deixar coisas importantes para o dia seguinte, deitam-se a apanhar sol e até vão dar uns mergulhos no oceano, como se estivessem de férias.

Tudo fica ainda mais absurdo quando uns tubarões aparecem do nada e matam um dos dez protagonistas — numa cena quase de “Sharknado” —, sendo que no dia seguinte ele dá à costa e está vivo. Eventualmente as personagens, que estão todas vestidas da mesma forma e que acordaram exatamente a 39 passos uns dos outros, descobrem os seus nomes na etiqueta da camisa que estão a vestir.

Um deles, Brody, tenta violar aquela que parece ser a protagonista, Chase, durante uma tentativa de encontrar mantimentos ao pé de uma cascata. Mais tarde encontram uma placa que diz “encontrem o vosso caminho de volta”. É a única pista que têm. Mas a grande parte do grupo (que já está cheio de atritos e de aproximações forçadas) ignora esta descoberta e pensa que não é de todo relevante.

Os diálogos são francamente maus, há grandes falhas de lógica, parece que tudo se passa sempre à mesma hora do dia e as personagens são todas irritantes ou desinteressantes — não há nada ali que nos cative a ver os restantes seis episódios.

Se “Perdidos” conseguiu arrancar com uma história empolgante, que começou por fazer sentido tendo em conta a situação, “The I-Land” nem sequer é boa no início. E imaginamos que daqui para a frente tudo fique ainda pior. Há ainda outra incongruência. 

Neste primeiro episódio, as personagens (e nós, espectadores) não fazem a mínima ideia do que se passa. Isto não tem nada a ver com um dos trailers divulgados, que por si só devia apresentar a premissa da série e da história. Foi este vídeo que nos sugeriu que “The I-Land” pudesse ser algo semelhante ao Fyre Festival — mas não há qualquer sinal disso neste capítulo piloto. Enfim, “The I-Land” é mau — e nem chega a ser mau o suficiente para valer a pena ver por ser tão mau. É apenas sofrível.