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“Anatomia de Grey” tirou um bebé da cartola (ou do saco) mas o truque foi fraquinho

Crítica: a série juntou trunfos fofinhos para nos fazer suspirar e para engonhar mais um bocado o romance de Meredith e DeLuca.
Nem Meredith apoia DeLuca.
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Quando tudo está a ficar aborrecido, qual é a coisa que imediatamente volta a prender-nos a atenção e nos leva a suspirar de ternura? Hipótese A: bebés; hipótese B: animais fofinhos. Para “Anatomia de Grey” qualquer uma das respostas está correta e, para que “Blood and Water” — transmitido esta quarta-feira, 13 de março, pela Fox Life — tivesse os trunfos certos para ser um sucesso, juntou tudo isto num só episódio. Quis tirar bebés da cartola (perdão, do saco), mostrando que era possível fazê-lo antes com carneirinhos pequeninos, fofinhos e todos os adjetivos acabados em “inhos”. Além disso, não chegando a ideia maluca do pai de DeLuca, a série ainda pôs Jo a stressar por causa de bebés hipotéticos e Owen e Amelia a decidirem a custódia de um bebé, Leo, enquanto não chega o outro bebé, aquele que Hunt vai ter com Teddy.

“Anatomia de Grey” quer acabar com o encanto das personagens mais fofinhas

Maggie Pierce apareceu como a irmã renegada de Meredith Grey e, escandaleira, a filha escondida de Ellis Grey e Richard Webber. Foi difícil encontrar um lugar aqui, sobretudo depois de perdermos a melhor Grey de todas (só de escrever o nome Lexie, ainda tenho vontade de chorar, juro) mas a ingénua, frágil e bebé Maggie reclamou aquilo que era seu por direito e toda a gente começou a adorá-la. Agora decidiram estragar tudo e dar demasiada importância à história da bully que a tratava mal na faculdade, a quem ela salvou a vida e que entretanto ficou com todos os créditos. Não chegava ter passado um episódio inteiro a fazer queixinhas, Maggie Pierce está neste capítulo a contar a versão dela em podcasts. E fala da operação inovadora, e fala de como soube que queria ser médica, e fala dos pais biológicos (Ellis e Richard) e da irmã biológica (Meredith). Esperem, o quê? Sim, sim, amiguinhos do podcast, têm entre mãos essa bomba que revela ao mundo inteiro que ela é o produto de um amor proibido. O drama, a tragédia, o horror. Richard Webber está furioso. Então agora toda a comunidade médica vai saber que o marido da Catherine Fox é um adúltero? A sério, é por aí que vamos? Ah, isso e o facto de não se orgulhar nada dessa parte da vida dele. Sim, a parte que permitiu que Maggie nascesse. Ups, até a mim me doeu. Contudo, nada temam, estes dois fazem as pazes lá mais para o fim do episódio com um “eu é que sou o escândalo”, “tu és o milagre”, uma conversa lamechas bem ao estilo da série.

Quando não há problemas, inventam-se

Jo, que também não tem tido direito a uma história nada de jeito este ano, arranjou uma preocupaçãozeca para animar aqui a coisa. A mãe de Alex Karev continua por Seattle, a dormir no sofá lá de casa. Mas esse nem é um problema, Jo até acha a sogra um amor. O problema é que ela está a tricotar gorros para bebés hipotéticos que Jo e Alex ainda nem decidiram se querem ter. Jo cola-se à cirurgia de Link e Avery para desanuviar e contar este grande drama a alguém. O quê? Como? Peço desculpa, estou demasiado distraída com o facto de estes cirurgiões estarem a arrancar o pé a uma pessoa, virarem-no ao contrário e, tcharan, toma lá um novo joelho. Onde é que ias, Jo?

DeLuca sénior vai fazer porcaria em 3, 2, 1…

Como reduzir as complicações em bebés prematuros e garantir que eles chegam ao fim da gestação mesmo quando as mães já não podem tê-los lá dentro no quentinho? Metemo-los num saco, do género daqueles com fecho que usamos para congelar os bifes. O pai de DeLuca acha que é uma grande ideia e veio direitinho de Itália para apresentá-la aos médicos de Seattle. Isso e porque precisa do dinheiro do hospital para financiar o projeto. O homem está eufórico, Andrew DeLuca segue-lhe o caminho e só Carina, a irmã, jura que o pai não está bem — aliás, ele tem uma doença mental que já lhe causou muitos problemas no passado. Alex Karev também fica fascinado com o projeto e acena ao italiano com dólares. Contudo, todos nós sabemos que esta história vai explodir rapidamente e, o mais certo, é sobrar para Andrew. Já agora, eu estava aqui a conter-me para não dizer nada, mas já viram como “Anatomia de Grey” arranjou mais uma distração para o mega romance entre Meredith e DeLuca não andar para a frente?

Continuamos a perder tempo com Owen e Amelia

As últimas pessoas a perceberem que Owen e Amelia estão a-ca-ba-dos foram, pelos vistos, Owen e Amelia. Estão numa reunião a assinar a papelada para a adoção de Leo e até a advogada, ao sentir a tensão no ar e o facto de aqueles dois terem muita coisa para discutir, resolve deixar-lhes a sala para eles resolverem as coisas como adultos. Sim, a sala dela, da qual a mulher precisa para trabalhar. É o quão grave isto está. Por outro lado, já vimos estes filmes demasiadas vezes. Owen acaba a acusar Amelia de uma data de coisas, incluindo que ela é incapaz de amar; Amelia acaba a retirar-se voluntariamente desta relação, como faz sempre. Amelia, o Link não seria a minha primeira escolha, mas está livre e parece menos dramático do que esta versão de Owen Hunt.

Porque é que ainda estamos a falar de Nico?

Desta vez decorei o nome do rapaz mas só porque estava tão aborrecida a olhar para aquela cara sem qualquer expressividade que tive de focar a minha atenção em outro detalhe qualquer. O Schmitt (que é provavelmente o interno mais adorável desta fornada) e Nico estão apaixonados. Parece-me ótimo, parabéns, sejam muito felizes. Isto até podia ter potencial e merecer mais do que três segundos de tempo de antena se, primeiro, esta personagem do Nico não fosse apenas uma versão de marca branca de Link e, segundo, se o ator escolhido não tivesse tão pouco jeito para isto. É tão fraquinho que o próprio parece estar em sofrimento sempre que está a ser filmado e nem saber muito bem como foi ali parar. “Eu só vinha a uma entrevista para atender telefones, agora puseram-me aqui.” Não sou vidente mas, em qualquer uma das cenas, ele pode estar a pensar exatamente isto. E eu pergunto-me exatamente o mesmo todas as semanas.

Carregue na galeria para recordar os seis momentos que mais nos fizeram chorar em “Anatomia de Grey”.