NiTfm live

Televisão

“Gosto muito de ir até Sintra de comboio, a vila parece um conto de fadas”

A atriz Itziar Ituño conversou com a NiT sobre a nova temporada de "La Casa de Papel".
Pode camar-lhe Lisboa.

Não era a tenda montada pela polícia em frente à Casa da Moeda de Espanha mas, na sala de espera para a entrevista com Itziar Ituño, era possível ouvir a voz um pouco rouca da intérprete da ex-inspetora Raquel Murillo. 

Assim que a atriz de “La Casa de Papel” entrou na divisão onde havia chá, café e bolos para os jornalistas, cumprimentou todos e pegou num pastel de nata para o lanche. Pela terceira vez em Lisboa, contou depois à NiT que, sempre que vem à cidade, aproveita para comer o doce típico português e passear pelo Bairro Alto e por Alfama.

Itziar Ituño está em Portugal para a divulgação da nova temporada da série da Netflix, que estreia a 19 de julho, sexta-feira. Nesta terceira fase, o grupo formado por Tóquio, Rio, Nairóbi, Helsínquia, Denver, Estocolmo e El Profesor ganhou um reforço de peso. É que a temida inspetora Raquel Murillo agora chama-se Lisboa e está pronta para ajudar o gangue no próximo golpe.

Apesar de não ter escolhido a cidade que iria representar a sua personagem, a espanhola de 45 anos disse que ficou muito feliz com o nome dado à ex-inspetora e, por coincidência ou não, tinha mencionado numa entrevista — ainda durante a primeira temporada — que, se fosse uma das assaltantes, gostaria de ter a capital portuguesa como pseudónimo. 

Pouco depois da hora marcada, a atriz recebeu a NiT para uma entrevista num dos salões do hotel Pestana Palace, em Lisboa, com um sorriso na cara e cheia de simpatia.

Porque foi Lisboa a cidade escolhida como novo nome da inspetora Raquel Murillo?
Estava no guião quando li o primeiro capítulo da terceira temporada. Raquel Murillo dizia: “Agora eu já não sou a inspetora Murillo. Chamo-me Lisboa.” Em “La Casa de Papel”, ela coloca a ela própria este nome. Não sei muito bem porque os guionistas escolheram Lisboa, mas numa entrevista ainda durante a divulgação da primeira temporada, quando falaram com os atores, perguntaram-me qual seria a cidade que eu escolheria e respondi:Lisboa. Sei que havia outras opções de cidades mas, no fim, decidiram que seria Lisboa.

A atriz falou com a NiT no Pestana Palace (foto de Ricardo Gomes).

Acha que os guionistas escolheram esse nome por causa da sua resposta?
Não tenho a certeza se ouviram o que eu disse, mas disse isso não só porque gosto da sonoridade da palavra, mas porque gosto da cidade. Naquela altura, já tinha estado aqui duas vezes. A cidade tem alguma coisa que te prende e não sei bem o que é. Ao caminhar um pouco por Alfama ou pelo Bairro Alto, fico encantada com os azulejos, a calçada, as fachadas e os edifícios. Não sei explicar mas tem uma magia que me encanta e aconteceu eu responder Lisboa quando me perguntaram pela primeira vez. Não sei se eles me ouviram ou se foi uma coincidência, mas fiquei muito feliz.

Tem alguma coisa que faz sempre que visita Lisboa?
Sim, como sempre pastéis de nata. Adoro. Também gosto muito de ir até Sintra, de comboio, porque essa vila parece um conto, um conto de fadas. Desta vez, vou ficar apenas até quarta-feira [10 de julho] mas voltarei, com certeza.

Quando é que soube que a terceira temporada iria avançar?
Acho que foi no ano passado, depois do final do verão. Não me lembro exatamente. Não sei se foi um pouco antes do verão ou logo depois. Primeiro, confirmaram-nos que haveria a continuação da série e só depois veio a confirmação de quem participaria, um por um. Houve um momento em que eu sabia que a série iria continuar mas até receber o telefonema e dizerem “bom, queremos contar também contigo para que a Raquel Murillo regresse”, eu não tinha a certeza. Até aí, sabia que a série iria avançar, mas não se a personagem continuaria nesta temporada.

Lisboa e El Profesor (foto de Tamara Arranz Ramos).

Houve um investimento maior da Netflix nesta temporada, com muitas viagens e filmagens fora de Espanha. Como é que os atores notaram, em termos práticos, este salto brutal na produção? 
Eu notei que tínhamos mais tempo para as filmagens, gravámos mais planos, fizemos mais takes. Há muito mais cuidado com cada sequência. Há mais tempo de gravação, mas também mais meios para fazer isso. Então, puderam contar a mesma história, só que melhor. Com mais meios pudemos ir até à Tailândia e gravar numa praia paradisíaca e isso foi um luxo. É como se tivéssemos passado para outro campeonato e isso nota-se. Vive-se melhor, com mais tranquilidade e menos stress. Logicamente que a tensão está ali, mas há um certo alívio. No meu caso, estou muito mais cómoda agora.

E como foi para si, como atriz, passar por esta transformação da personagem de polícia para assaltante?
Para mim, foi como se na primeira temporada a Raquel já tivesse deixado a polícia. No último capítulo da primeira fase, já pudemos perceber que, de alguma forma, ela deixou a polícia. No final da segunda, ela vai procurar El Profesor às Filipinas, fica e decide entrar para o gangue no assalto seguinte. Isto aconteceu por conta própria, por decisão dela. É uma mudança, mas é bastante lógica, porque durante toda a primeira temporada Raquel Murillo vai chocando com a realidade do local onde está a trabalhar, onde não a tratam bem e a desautorizam. Ela vê coisas de que não gosta e, no momento em que faz essa mudança de lado, parece-me bastante lógico. 

Em entrevista à NiT, em abril de 2018, disse que, se fosse um dos assaltantes, gostaria de ter interpretado alguém como Berlim ou Nairóbi, personagens bastante fortes. Sentiu-se realizada com essa transformação da sua personagem?
A Raquel está do outro lado, mas não é fácil para ela porque a inspetora era o inimigo. Agora está dentro do grupo, mas nem todos a recebem de braços abertos. Não confiam muito nela, pensam que pode ser uma traidora, mas acredito que ela vai trazer algo muito importante à Resistência. A Raquel, agora Lisboa, conhece a polícia e sabe como eles agem e se organizam. Com este outro assalto, ela possui toda essa informação e pode ajudar muito o grupo. Eles estarão nos preparativos do novo golpe e ela vai conhecer o funcionamento do gangue. Começa a conhecer o esquema por dentro e então passa a ter informação dos dois lados. Isto faz dela uma personagem muito interessante porque não sabemos que caminho pode tomar. 

A saia é uma referência à nova fase de Raquel Murillo (foto de Ricardo Gomes).

Está vestida com uma saia com estampa de origamis. Esta escolha foi propositada [El Profesor faz origamis nos momentos de maior stress)?
É uma referência a “La Casa de Papel”, sim. Eu já tinha esta saia, ofereceram-ma há muitos anos. Não sabia o que vestir e, de repente, olhei para ela no armário e pensei: “Vou levar esta.” Digamos que a saia com origamis tem a ver com o caminho que a Raquel escolhe.

E sabe fazer origamis?
Vou contar um spoiler pequenino. A Raquel faz um barquinho de papel.

Agora que a sua personagem está do outro lado, espera que haja uma quarta temporada para que Lisboa continue a fazer parte do grupo de El Profesor?
Claro. Estou encantada por fazer parte do gangue, mas também me dá muita pena porque me dou muito bem com meus outros companheiros, os atores que interpretam os polícias. Foi muito divertido trabalhar com eles, ríamos muito porque era muito duro o trabalho. A parte da polícia tem uma linguagem muitas vezes complicada. Os planos requerem muita concentração. Estávamos num sítio que era uma tenda de plástico, onde colocavam fumo para parecer um ambiente mais sombrio, mas também éramos muito bem humorados. Agora, chamam-me traidora. Por outro lado, estou a conhecer melhor a outra parte do elenco da série, os assaltantes. Eu já conhecia bem El Profesor, Álvaro Morte, e agora estou a descobrir um pouco mais de Tóquio, de Estocolmo, que antes era a Mónica Gaztambide. Cada uma de nós está à procura do seu lugar no grupo.

Acredita que os fãs vão continuar a gostar da Raquel Murillo?
Acho que sim, os espectadores gostam da Raquel porque ela se apaixonou por El Profesor e era a polícia boa, não era má. Não era o Coronel Pietro. Nesse jogo de “quando é que ela vai conseguir prendê-lo? o que vai fazer?”, acho que os fãs vão ficar contentes por ela se transformar em Lisboa e estar do outro lado.

Houve algum momento marcante nas filmagens desta terceira temporada que pode contar à NiT?
Sim, houve uma sequência nova. Não posso dizer do que se trata, mas foi muito dura, muito extrema, na hora de interpretar. A cena pediu esta emoção que foi… [suspira]. Foi mais do que emocionante, foi comovente. Também houve muitas cenas de ação que foram divertidas de gravar. Para uma delas, eu tive de fazer uma preparação especial, mas não posso dizer qual.

Uma última pergunta: Do you have a charger [“tem um carregador?”, pergunta que a personagem faz no final da segunda parte de “La Casa de Papel” quando se reencontra com El Profesor)?
[Risos] Não, nunca levo carregador na mala, fico sempre sem bateria. Sou pior do que a Raquel Murillo.