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Teatro e exposições

Manicómio: a nova galeria de Lisboa só tem obras de artistas com doenças mentais

Fica no Beato e é um projeto de inclusão social inserido num espaço de cowork.
Fica dentro do cowork Now, no Beato.

São esculturas de monstros, fotografias, contos e desenhos criados todos os dias no Manicómio. É assim este ateliê e galeria de arte feito para os doentes mentais que está no Beato, em Lisboa, na área de cowork Now (No Office Work), desde meio de fevereiro. 

O projeto foi pensado por Sandro Resende e José Azevedo, depois de terem passado vários anos a trabalhar no hospital psiquiátrico Júlio de Matos, também em Lisboa — onde promoviam atividades artísticas para os doentes. O trabalho resultou em várias exposições que uniram estes artistas com doenças mentais a nomes consagrados do meio, tanto portugueses como internacionais. É o caso de Emir Kusturica, Pedro Cabrita Reis, Jeff Koons e Jorge Molder.

No Manicómio a ideia é que estes doentes possam sair dos recintos hospitalares e trabalhar num local com luz natural, plantas, uma cafetaria com comida saudável e uma decoração moderna. Não é uma espécie de terapia. Nem sequer existe uma vertente clínica, mas é uma prática que ajuda os doentes.

Os ocupantes do Manicómio têm direito a uma bolsa de estudo que inclui refeições, transportes e um salário — além da receita que resultar das vendas das peças. Os artistas podem visitar o espaço de acordo com as suas necessidades pessoais: não existe um horário fixo. Eles convivem com os outros visitantes do Now, têm o apoio de um psicólogo e podem até dar workshops naquele local.

O ateliê dentro do espaço de cowork só vai ser inaugurado oficialmente nas próximas semanas, mas os trabalhos já podem ser visitados — e comprados. O investimento em materiais, bolsas de trabalho e outras despesas de manutenção foi de cerca de 100 mil euros, suportados pelo Turismo de Portugal (o maior patrocinador), a Fidelidade, a Central de Cervejas e a Herdade da Malhadinha Nova.

Esta é uma das esculturas de Anabela Soares.

A poeta e desenhista Cláudia R. Sampaio, a escultora Anabela Soares e o fotógrafo e escritor Pedro Ventura são alguns dos principais artistas com doenças mentais que trabalham neste projeto de inclusão social.

O investimento inicial prevê a sobrevivência do Manicómio durante quatro anos sem ser necessário qualquer lucro das vendas. Ainda assim, os trabalhos destes artistas residentes já começam a ter colecionadores interessados. Algumas peças que estiveram integradas em exposições fora daquele espaço foram vendidas a preços habituais para o mercado de arte.

Além do espaço do Manicómio no cowork Now, existe a ideia de abrir um restaurante com o nome Inconveniente por Manicómio — com pratos feitos por doentes mentais. Ainda está a ser procurado o local ideal, mas já se sabe que será uma colaboração com Cátia Goarmon, mais conhecida como Tia Cátia e quee tem um programa de televisão no canal 24 Kitchen.

A entrada no espaço, para conhecer os trabalhos e os artistas é livre. O Manicómio está aberto de segunda a sexta-feira, entre as 9 e as 19 horas. Os trabalhos podem ser vistos com regularidade na página de Facebook do projeto.

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