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Teatro e exposições

Louis C.K. voltou ao stand-up — mas já causou uma nova polémica

É a terceira ocasião em que o humorista aparece depois das acusações de assédio sexual.
SATURDAY NIGHT LIVE -- "Louis C.K." Episode 1721 -- Pictured: Host Louis C.K. introduces musical guest The Chainsmokers on April 8, 2017 -- (Photo by: Will Heath/NBC/NBCU Photo Bank via Getty Images)

O humorista Louis C.K. foi um dos nomes famosos apanhados nos escândalos na vaga do movimento #MeToo. Foi acusado de assédio sexual e conduta imprópria no ambiente de trabalho em 2017 — ele próprio confessou o que fez.

Desde essa altura que se retirou dos holofotes da televisão, e recentemente fez duas aparições em clubes de comédia onde apresentou pequenas atuações de stand-up comedy. Apareceu pela terceira vez agora. Aconteceu a 16 de dezembro, mas o áudio só foi colocado online neste último fim de semana do ano.

Louis C.K. fez piadas sobre o trágico tiroteio de Parkland e sobre a questão da identidade de género — o que causou bastante polémica. A atuação aconteceu no Governor’s Comedy Club, em Long Island, na região de Nova Iorque, nos EUA.

“Vocês não são interessantes [só] porque andam numa escola onde foram alvejados miúdos. Por que é que isso significa que tenho de vos ouvir? Por que é que isso vos torna interessantes? Vocês não levaram um tiro. Empurraram um miúdo gordo para a frente e agora tenho de vos ouvir a falar?”, perguntou com ironia o comediante de 51 anos na sua performance.

Este texto está relacionado com a ida de alguns sobreviventes do tiroteio de Parkland — em que morreram 17 pessoas, em fevereiro de 2018 — ao congresso americano. Aqueles jovens tornaram-se ativistas a favor do controlo das armas nos EUA.

“O que é que eles estão a fazer? Vocês são jovens. Vocês deviam ser doidos. Vocês deviam ser desequilibrados. Não deviam estar de fato”, disse ainda Louis C.K. no stand-up. O humorista americano fez ainda piadas sobre a questão da identidade de género — quando brincou com o pronome neutro “they” (eles ou elas) em vez de “he” (ele) ou “she” (ela).

“São como se fossem realeza. Dizem-nos o que lhes chamar. ‘Devem referir-se a mim como ‘eles’ porque me identifico como género neutro’”. E pediu: “Devem referir-se a mim como ‘ali’ porque me identifico como um lugar e o lugar é a vagina da vossa mãe.”

O público diverte-se e ri-se com o espetáculo, mesmo que algumas pessoas tenham abandonado a sala, tal como nas outras duas atuações. C.K. aproveita uma piada que faz sobre sexo com uma criança para separar a arte do humor daquilo que pensamos realmente. “Já agora, eu sei que sexo com crianças é errado. Fazer piadas sobre isso não é, obviamente.”