Teatro e exposições

Ljubomir Stanisic: “Sou o gajo que menos dinheiro poupa, gosto de estoirar tudo”

Em viagens e comida mas sobretudo com a equipa do 100 Maneiras. Falou da participação no The Famous Fest e sobre “Pesadelo na Cozinha”.

No Bistro 100 Maneiras há a Hendrick's Room, onde se servem menus exclusivos.

Entrevistar Ljubomir Stanisic é um jogo. Ou é desafiante logo no primeiro nível ou é game over, geralmente para o jornalista. Se soubermos as regras, conseguimos dele aquilo que procuramos, boas histórias, respostas sérias. Está-se nas tintas para o que diz ou como o diz. Afinal, é “um bicho selvagem”, como o próprio se descreve, embora no mundo que é dele, o da cozinha, esteja “sempre concentrado”.

É isso que vai mostrar na edição de 2017 do The Famous Fest (que acontece a 29 e 30 de setembro na LX Factory, em Lisboa), onde fará um live cooking enquanto a jornalista (e mulher) Mónica Franco estiver a contar uma história ilustrada por Hugo Makarov, responsável pelas tatuagens do chef.

“Quando quiser começar”, dizemos-lhe quando chegamos ao Bistro 100 Maneiras, no Chiado. “Querer, não quero.” Ri-se mas o que diz é a sério. Depois de “Pesadelo na Cozinha”, que lhe deu um mediatismo bom e mau em doses iguais, o chef tem preferido resguardar-se e só aceitou dar duas ou três entrevistas desde então.

Longe da televisão tem tanta coisa para fazer que nem pensa na segunda temporada do programa da TVI. O Bistro 100 Maneiras foi recentemente considerado pela revista “Monocle” melhor restaurante do mundo, vem aí um renovado 100 Maneiras em pleno Bairro Alto e, a longo prazo, a ideia é ter um projeto que envolva e dê nova vida a uma aldeia inteira.

Diz que tem um bom pé de meia para isso mas, ao mesmo tempo, garante que estoira tudo o que ganha. Em quê? Viagens, refeições mas sobretudo para formar a equipa que trabalha com ele.

À NiT falou do algodão doce que recorda da infância, dos filhos que vão seguir a mesma carreira (apesar de não ser esse o desejo dele) e das centenas de euros que gasta por mês em livros — em casa tem uma sala com 12 metros só com livros de um lado e vinhos do outro. Leia a entrevista a Ljubomir Stanisic.

Que Ljubomir Stanisic é que as pessoas vão ver no The Famous Fest?
Não vai mudar rigorosamente nada, sou eu. Vamos fazer uma apresentação, uma coisa simples que, provavelmente, se vai tornar em tudo menos simples. Eu aceitei o desafio antes sequer de saber o que era.

Porquê?
Todo o conceito que ele [Hugo Nóbrega, da organização] tem em volta das marcas faz com que elas não sejam chatas. Eu não gosto de ver mulheres com decotes gigantes a servir copos. Ele pega numa marca e faz com que ela tenha cultura, design, envolvimento, comédia, não é só silicone. No outro dia fui ouvir a Clarice Falcão [que também faz parte do cartaz deste ano] e, porra, ela tem uma voz do caraças, mas aqui vai ter outro lado, igualmente interessante, exposto. Ele não veio ter comigo e disse: “Olha Ljubo, queres ir lá fazer umas bifanas?” Há congressos em que as pessoas me convidam e dizem: “Faz lá um show.” Assim vendem tickets com o nome de Ljubomir. No The Famous Fest vamos contar histórias do País, da gastronomia, da infância.

Coisas de que nunca falou?
Sim, tem de ser uma coisa única.

Fui estagiar para os grandes restaurantes da Europa. Levei nos cornos que nem um cão, com 35 anos

Qual é a memória mais antiga que tem?
As olimpíadas em Sarajevo [Jogos Olímpicos de Inverno, 1984]. Tinha seis anos. Só me lembro de duas coisas: neve e algodão doce. Aquilo foi feito na serra e lembro-me de um lobo escolhido como mascote, como vocês tiveram o Gil aqui [na Expo 98], que era o Vučko. Era muito giro. Lembro-me de ter tido um boneco gigantesco, andar com ele na rua e comer algodão doce. Já fiz um prato em memória disso e vamos abordar tudo no The Famous Fest.

Vai ter duas pessoas consigo, Mónica Franco (a sua mulher e jornalista) e o tatuador Hugo Makarov. Porquê?
Para fazermos uma coisa diferente. O Hugo é um ilustrador, a pessoa que me pinta o corpo todo.

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