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O incrível esquilo de Bordalo II em Dublin foi destruído

O edifício foi demolido para dar lugar a um novo hotel. O artista queria transferir a obra, mas a destruição da peça foi antecipada.
A obra foi construída em 2017.

Há dois anos que Dublin, a capital da Irlanda, tinha um enorme esquilo vermelho na esquina de um edifício. Construída a partir de lixo recolhido naquela cidade, a obra de arte era da autoria do português Bordalo II.

Fazia parte da série de animais que o artista visual tem espalhados pelo mundo — cujo objetivo é alertar o público para a preservação das espécies e a sustentabilidade ambiental. 

A peça foi destruída na sexta-feira, 2 de agosto, para dar lugar a um hotel naquele prédio que estava abandonado. Estava previsto que a demolição apenas acontecesse esta terça-feira, dia 6, mas foi antecipada porque se começava a criar um movimento que apelava a que a obra não desaparecesse.

“Estava combinado com eles retirar só a dia 6, mas eles anteciparam as coisas para não haver manifestações e pessoas chateadas”, contou Bordalo II ao jornal “Diário de Notícias”.

Já circulava uma petição online — com mais de duas mil assinaturas — para impedir a retirada daquele enorme esquilo vermelho. “O mural não é apenas lindo, mas também altamente simbólico. É adorado por turistas e pelos locais e chama a atenção para os problemas ambientais. Tirá-lo seria uma grande perda”, diz o texto.

Bordalo II explicou à mesma publicação que haveria a possibilidade de transferir a obra para outro local — mas que a tal antecipação deixou de fora essa hipótese.

“A ideia era ter levado a peça para outro sítio, porque era uma peça icónica, mas eles, como estavam cheios de pressinha, retiraram a peça antes do tempo para não haver conversa e ficar já resolvido à maneira deles. Cortaram a peça toda e mandaram tudo para o chão.”

O artista visual português, que tem uma enorme projeção internacional, acrescentou ainda: “Se tivesse sido planeado com tempo, se eles tivessem tido essa abertura, nós mandávamos alguém da nossa equipa desmontar com calma e montar noutro sítio. Agora não há nada a fazer.”

Apesar disso, Bordalo II mostrou-se satisfeito e reconfortado com o facto de a obra que nasceu a partir do lixo ter voltado a ser lixo — e frisou que não é contra a evolução das cidades.  “Era um sítio que estava abandonado e faz sentido que seja alguma coisa, seja um hotel ou o que for. É melhor do que não ser nada. O único problema foi o pisar o lado cultural, em vez de se fazer a coisa de uma forma mais planeada. Era só uma questão de bom senso.”

A obra foi construída em abril de 2017, durante cinco dias, com partes de televisores, carros, arame farpado, bicicletas e material de escritório. 

Leia a entrevista recente da NiT com Bordalo II no seu estúdio — na qual o artista explicou quais são os seus próximos projetos.