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Teatro e exposições

Galeria Cisterna: a arte contemporânea tem uma nova casa no Chiado

É um antigo reservatório de água em Lisboa. O espaço vai ser inaugurado a 14 de março.
O espaço é inaugurado a 14 de março.

Durante o século XVII foi uma cisterna, mesmo ao lado da muralha fernandina de Lisboa, na zona do Chiado. A nova proprietária quis manter o nome e por isso vai abrir esta quinta-feira, 14 de março, a Galeria Cisterna. A inauguração está marcada para as 19 horas.

A nova galeria de arte da cidade é dedicada à arte contemporânea. Este antigo reservatório de água vai receber exposições de pintura, fotografia ou escultura. A mostra que vai abrir o espaço é “Ararat”, com trabalhos de Ana Jacinto Nunes.

A galerista Catarina Marques da Silva explica à NiT que esta exposição “é um diálogo entre a pintura e a cerâmica”. A arca de Noé é um elemento em destaque nestas obras de arte. Catarina Marques Silva comprou o espaço há cinco anos — as autorizações para as obras de restauro demoraram — e imaginou desde o início que a parte mais expositiva da galeria (a que vemos na imagem de destaque) era ideal para contar histórias nas paredes. E isso não significa que não possa haver trabalhos mais abstratos.

A Cisterna era um desejo antigo desta galerista de 60 anos nascida em Leiria (mas que cresceu e estudou em Coimbra). Durante muitos anos, Catarina Marques da Silva foi médica de medicina geral e familiar em Lisboa. Há cerca de 15 anos, a empresa onde o marido trabalha mudou-se para a Argentina e Catarina mudou de vida.

Ainda tentou exercer medicina na América do Sul mas o longo e demorado processo para conseguir equivalências e uma autenticação revelou-se demasiado burocrático. “Então estudei pintura e outras atividades ligadas às artes. Dois anos depois mudámo-nos para o Brasil. Já tinha feito alguns cursos livres, mas estudei melhor o restauro de arte e fiz uma pós-graduação de Perícia e Análise de Obras de Arte.”

cisterna
A peça faz parte de “Ararat”.

Foi na cidade de São Paulo que começou a trabalhar num atelier local de restauro e a desenvolver o interesse pela área — sempre com o objetivo de um dia regressar a Lisboa para abrir uma galeria.

Nunca mais voltou a receber pacientes no seu consultório nem receitou medicamentos, mas abriu uma empresa em Curitiba de medicina no trabalho — não enquanto médica, mas como empresária. Tinha vários médicos a trabalhar para ela.

Apesar de ainda ter casa no Brasil, Catarina Marques da Silva voltou a Lisboa de forma mais definitiva há seis meses para preparar a abertura do projeto. A Cisterna tem três salas para receber as exposições. O espaço tem cerca de 100 metros quadrados.

“Ararat” vai poder ser visitada até ao feriado de 25 de abril. Tiago Mourão, Maria Souto de Moura, Cecília Corujo, Juliana Julieta e Maia Horta são os artistas que se seguem na programação da Cisterna.

“Mas mais do que um espaço com peças nas paredes, quero que seja um sítio que tenha vida, onde se discuta a própria arte”, diz Catarina Marques da Silva. Haverá cursos, workshops, tertúlias e debates frequentes naquela galeria. A Cisterna está aberta de terça-feira a sábado entre as 11 e as 19 horas.