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Teatro e Exposições

MAAT: as 3 novas exposições que tem de ver

Fotografia, vídeo-arte, instalações artísticas e pintura para ver no novo museu de Lisboa.

Vai ter de pagar para ver estas exposições.
Um vídeo de Joaquim Sapinho projetado na nova exposição.
Pormenor de um filme nas máquinas da antiga central elétrica.
As pinturas com textos de Eduardo Batarda.
O mapa de Rui Calçada Bastos onde Lisboa e outras cidades europeias estão mais próximas.
As fotografias das viagens de Rui Calçada Bastos.

O novo edifício do MAAT foi inaugurado em festa no feriado do 5 de Outubro. Uma multidão encheu completamente o museu e a polícia até teve de encerrar uma ponte pedonal que estava em risco de cair. Agora que tudo acalmou e foi anunciado que o novo museu terá entrada grátis até março de 2017, foram organizadas três novas exposições no antigo Museu da Eletricidade, que está integrado no MAAT.

“Liquid Skin”, de Joaquim Sapinho e Apichatpong Weerasethakul

Uma delas chama-se “Liquid Skin” e junta a obra dos realizadores Joaquim Sapinho e Apichatpong Weerasethakul, da Tailândia, com o próprio espaço do museu. “É uma instalação site-specific”, disse o curador Alexandre Melo aos jornalistas na apresentação, esta terça-feira, 8 de novembro. Ou seja, foi uma exposição feita especialmente para o MAAT, por causa das formas e da (pouca) luz que entra no espaço.

Os vídeos são projetados nas próprias máquinas da antiga central termoelétrica e produzem efeitos variados, que dependem da perspetiva e das diferentes superfícies. A instalação demorou cerca de um ano e meio a ser projetada, com diversas viagens entre Portugal e a Tailândia. “É um diálogo entre os dois artistas”, disse o curador. 

Joaquim Sapinho mostra na exposição imagens captadas por si da vida familiar, como aquela vez que o sobrinho foi parar ao hospital com uma perna partida, ou imagens da mãe no quintal, no dia seguinte à morte do seu pai. A parte do realizador tailandês foca-se mais nas formas abstratas e silhuetas — uma das peças da exposição, “Fireworks”, dedicada ao fogo, só vai poder ser vista depois do pôr do sol, quando o museu estiver às escuras.

“Misquoteros — A Selection Of T-Shirt Fronts”, de Eduardo Batarda

Se continuarmos a caminhar pela antiga Central Tejo, chegamos ao espaço que recebe a partir desta quarta-feira “Misquoteros — A Selection Of T-Shirt Fronts”, do pintor Eduardo Batarda, que está a celebrar os 50 anos da sua primeira exposição.

É ao mesmo tempo tradicional e inovadora. Os quadros estão colocados em sequência na parede como qualquer exposição de pintura, mas na verdade cada um deles é um dos elementos que compõem esta peça única que é a nova exposição do pintor português. São pinturas abstratas pouco elaboradas cheias de frases por cima. “É como um texto completo, mas sem sequência. Muitas das frases são citações”, disse o autor na apresentação. “Esta é uma daquelas exposições que não poderiam ir para uma galeria comercial.”

O texto completo demorou sete meses a ser escrito. No total, são 640 frases. Eduardo Batarda diz que se inspirou nos últimos trabalhos do espanhol Pablo Picasso, que morreu em 1973.

O pintor inspirou-se em elementos do seu dia a dia para criar as cores. “Na caixa de um medicamento que ando a tomar, na fita adesiva que tapa os buracos do plástico que protege o espaço onde pinto…” O autor de 73 anos diz que esta obra, apesar de não ser triste e incluir alguma ironia, tenta refletir a fase da carreira e da sua vida. “Espero que as pessoas parem e leiam as frases, cada um dos quadros têm bem menos texto do que uma página de um livro [risos].”

“Walking Distance”, de Rui Calçada Bastos

A terceira exposição é do artista lisboeta Rui Calçada Bastos, que tem passado a vida entre a capital portuguesa e Berlim, na Alemanha, Riga, na Letónia, Budapeste, na Hungria, Paris, em França e Estocolmo, na Suécia. A primeira peça da sua exposição é um mapa fictício que junta partes de todas estas cidades — “a ideia é que, ao longo dos anos, este mapa receba pedaços de outras cidades por onde eu passar”, disse o artista.

“Walking Distance” é um trabalho bastante pessoal já que é feito durante as próprias viagens de Rui Calçada Bastos. “Não sou daquelas pessoas que trabalha num atelier.” A exposição tem fotografias de objetos e pormenores arquitetónicos de várias cidades do mundo, além de um vídeo e uma instalação artística.

As três exposições vão ser inauguradas esta quarta-feira, 9 de novembro. “Walking Distance” fica até 16 de janeiro no museu, “Misquoteros” até 13 de fevereiro e “Liquid Skin” até 24 de abril. Os bilhetes custam 5€ e garantem entrada para todo o museu. As exposições podem ser visitadas todos os dias do meio-dia às 20 horas, exceto à terça-feira, quando o MAAT encerra.