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Teatro e exposições

A entrevista aos humoristas da Cia. Barbixas que César Mourão fez para a NiT

O trio formado por Anderson Bizzocchi, Daniel Nascimento e Elidio Sanna tem 8 espetáculos de improviso marcados para Portugal em setembro.
Só comediantes.

O que é que o humorista César Mourão e a Cia. Barbixas têm em comum? Além da língua portuguesa, o gosto pelo improviso e a habilidade de fazer a plateia rir. Pelo terceiro ano consecutivo, os Barbixas voltam a Portugal para oito espetáculos de improvisação total. Na primeira apresentação, em Lisboa, os humoristas contam com a participação especial de César Mourão.

Com salas sempre esgotadas, o “Improvável” já foi visto por mais de dez mil portugueses. Como as cenas são todas criadas na hora, sem rede e a partir de ideias lançadas pelo público, todos podem assistir quantas vezes quiserem e não correm o risco de ouvir nenhuma piada repetida.

Criado pelo trio Anderson Bizzocchi, Daniel Nascimento e Elidio Sanna (os Barbixas), o espetáculo é comandado por um mestre de cerimónias que apresenta as regras e escolhe os temas sugeridos pela plateia. Sem nenhuma preparação prévia e com convidados novos a cada semana, o “Improvável” é sempre uma apresentação única.

Desta vez, os Barbixas vão passar pelo Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, nos dias 12, 13 e 14 de setembro; pelo Conservatório de Música de Coimbra, no dia 17 de setembro; pelo Altice Forum Braga,no dia 19 de setembro; e pelo Teatro Sá da Bandeira, no Porto, nos dias 20, 21 e 22 de setembro. Os bilhetes custam entre 14€ e 20€.

Antes de começar a tour, César Mourão vestiu a pele de jornalista da NiT e entrevistou os três humoristas da companhia sobre a relação entre o Brasil e Portugal e a dificuldade de fazer piadas noutro país.

De regresso à Portugal.

Falando sério, vocês vêm a Portugal para mostrar vosso trabalho ou mais para comer e beber bem?
Daniel: Particularmente, eu acho muito importante mostrar nosso trabalho, mas…
Elidio: Comer e beber bem, claro.

No Brasil, como vocês lidam com a intolerância para algumas piadas com minorias? O cerco tem se fechado mais ou até faz sentido?
Elidio: Complexa essa pergunta. Na verdade, não sentimos tanto este cerco fechar, pois não trabalhamos com este tipo de piada.
Anderson: Mas claro, temos também que nos adaptar à ordem corrente. Há algumas piadas que antigamente até podiam ser aceitas, mas que hoje em dia não ficam bem.
Daniel: Já eu acho que o cerco está a fechar sim.
Elidio: Mas não existe tema proibido, existem temas complexos que exigem mais do comediante.
Anderson: Só se preocupa com isso quem não é criativo.

No Brasil, brinca-se muito com o português burro. A nossa plateia mudou a vossa opinião ou, por outro lado, por pagarem ingresso para assistir vocês potencia essa ideia?
Elidio: Confesso que cresci a ouvir piada sobre português burro e, quando cheguei aqui, não entendi de onde vieram tais piadas. Para nós, o apego ao literal é que é estranho.
Daniel: Se calhar, especificamente os portugueses que foram para o Brasil, especificamente estes, eram muito mais literais.
Anderson: Ou se calhar, enlouqueceram no meio do caminho. Imagina pegar um barco como eram os de antigamente? Meses a atravessar o Oceano Atlântico.

Há uma briga histórica entre os moradores de São Paulo e os do Rio de Janeiro. Sendo vocês de São Paulo, acham que são melhor recebidos em Portugal ou no Rio de Janeiro?
Todos juntos: Portugal.
Elidio: Brincadeira
Daniel: Não é brincadeira não.
Anderson: É sim.
Elidio: Não, não é.

Portugal recebe muitos humoristas brasileiros. O contrário não acontece tanto, são poucos os casos. Porque razão vocês acham que isto acontece?
Elidio: Acho que é vingança.
Daniel: Acho que vocês assistem muita coisa da televisão brasileira, muitas novelas, por exemplo. Nós não temos este costume. Então, genuinamente não entendemos o português dos portugueses.
Anderson: É uma questão de costume. Agora, já estamos quase a dominar a vossa, ou nossa, língua.

Que género de dificuldades vocês encontram para improvisar em Portugal?
Anderson: A dificuldade para nós é muito interessante em cena. Quando nos dão um tema que não conhecemos, ou com o qual nos confundimos ou erramos por uma diferença cultural, é interessante para jogar. Além disso, diverte a plateia.
Daniel: No Brasil, temos algumas referências a temas culturais que é só citarmos e já fazemos a plateia rir. A dificuldade é que em Portugal elas não fazem o menor sentido. Como o posto Ipiranga. Conhecem?

Vocês usam muito o YouTube, é a vossa maior ferramenta de promoção aqui?
Elidio: Sim, o YouTube é nosso maior meio de divulgação do nosso trabalho. Contudo, para divulgar a agenda das apresentações, usamos mais o Facebook e Instagram.

Estará agendado voltarem a Portugal em breve?
Todos: Sim.
Daniel: Voltaremos muito breve, em novembro. Faremos um espetáculo com o Commedia a La Carte, mas não será o “Improvável”. Serão apresentações únicas num formato novo.
Anderson: E é um pretexto para comer e beber bem, claro.

O melhor grupo do mundo são os Commedia a La Carte, vocês são o segundo?
Daniel: Acho que somos o quarto melhor grupo do mundo. O melhor de comédia, claro.
Elidio: Jamais. O melhor é o grupo de pagode Raça Raça Negra.
Anderson: Óbvio. Mas se fosse só comédia…
Elidio: Raça Negra também.