Teatro e exposições

Catarina Furtado: “Jamais faria um reality show”

A apresentadora diz que o conceito é nocivo, gostava de fazer uma versão do formato internacional “Extreme Makeover: Home Edition” e adora ser “mimada” na rua. Está no teatro com “Os Dias Realistas” após seis anos de pausa.

Nos corredores do Centro Cultural de Belém, as cabeças viram-se quase todas quando ela passa (só os turistas prestam mais atenção aos guias). À saída do elevador há pedidos de fotografias, um exercício que ela já repetiu dezenas de vezes durante o dia e há-de repetir outras tantas antes de chegar a casa. Mas Catarina Furtado garante que nunca é um esforço e que até os filhos já sabem que é natural “demorar um bocadinho mais a atravessar a rua”.

Foi ali, no Sanduiche Bar, no piso térreo do CCB, que escreveu quase todo o livro que lançou em 2015, “O Que Vejo e Não Esqueço”. Ficava numa mesa ao canto, mais recatada, mas as interrupções para falar com as pessoas eram inevitáveis. Ainda assim, a apresentadora explica que este era e continua a ser um dos seus locais favoritos e que até as funcionárias do bar já sabiam o que ela queria, nem precisava de pedir. Mais ou menos como no dia da entrevista com a NiT, em que lancha um bolo e um chá e insiste para a acompanharmos. Não nos conhecemos, nunca sequer tínhamos falado ao telefone, mas a conversa flui como se ainda ontem nos tivéssemos visto.

“Eu já em miúda era assim, sempre falei com toda a gente, é uma coisa natural em mim.”

O pretexto é a peça de teatro que está em cena no Auditório dos Oceanos do Casino Lisboa — de quinta-feira a sábado, às 21h30, e no domingo, às 17 horas —, “Os Dias Realistas”, onde contracena com João Reis, Paulo Pires e Manuela Couto, mas há tempo para falar de uma ideia original que até já vendeu para fora de Portugal, das cartas com insultos que recebeu quando revelou ser a favor da despenalização do aborto, do formato que nunca apresentaria e do trabalho solidário, visível na televisão em “Príncipes do Nada” mas também através da sua associação, Corações com Coroa, e das Nações Unidas, de que é embaixadora.

Está em cena com “Os Dias Realistas” e já há muito tempo que não fazia uma peça de teatro. Há certas emoções ou sensações que se esquecem?

Foi fruto de uma necessidade, comecei a ter sintomas quase físicos das saudades que estava a ter do teatro. Passaram-se cerca de seis anos desde que fiz o “Transações”, no Maria Matos, encenada pelo João Reis [o marido]. Entretanto fiz outras coisas como atriz, até em televisão, mas não tinha voltado ao palco.

A pausa foi propositada?

Não, foi por falta de tempo. Nem percebi que tinham sido seis anos, tenho sempre a cabeça cheia de novos projetos. Senti, talvez fruto de tanta realidade que fui bebendo — até através das Nações Unidas vi muita coisa que, se calhar, não queria ver —, que devia ser agora. Para ter uma espécie de sanidade mental no meio disto tudo, tenho de ir contraponto. Com tanta realidade, também é bom ter um bocadinho de ficção, um outro trabalho que exija que me desligue de tudo à volta. Precisava mesmo de desligar, encontrar uma papel e ter aquele tempo do ator até ver nascer uma personagem, neste caso a Bambi.

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