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Teatro e exposições

Burning Man vai ter pela primeira vez uma instalação portuguesa

“O Nome da Rosa” vai ser apresentada no deserto americano em agosto.
O festival volta a 25 de agosto.

Definir o Burning Man não é uma tarefa fácil. O festival que acontece todos os anos em Black Rock City — uma cidade montada de propósito no deserto do Nevada, nos EUA, durante uma semana — é uma espécie de caos artístico.

Não tem propriamente um cartaz ou uma programação certa. É antes uma comunidade livre, associada ao movimento hippie — e que também faz lembrar o cenário dos filmes “Mad Max”. Tem exposições, espetáculos de artes performativas e música, entre tantas outras atividades e enormes instalações artísticas.

Este ano, e pela primeira vez, o Burning Man vai receber uma instalação portuguesa. Chama-se “O Nome da Rosa” e é um trabalho do dramaturgo Nuno Paulino e da sua companhia de teatro Artelier?.

Como a maior parte das instalações no festival, esta peça cruza arte e ciência para produzir um efeito que está relacionado com o fogo e a luz — que se irá destacar sobretudo durante a noite.

Trata-se de um mecanismo que funciona através da luz solar para gerar energia e iluminar vários artefactos e uma figura humana que está no centro — que é, na verdade, a Deusa Mãe. Há um vídeo que mostra como tudo vai acontecer.

O processo de ignição serve também para refletir sobre as fontes de energia que são usadas. E sobre as energias renováveis, sustentáveis e alternativas que estão à nossa disposição.

Nuno Paulino pensou no conceito e na forma mecânica em que a instalação iria funcionar, mas as ilustrações dos vários artefactos foram desenhadas por José Baetas. A peça foi fabricada pelos estúdios do OVNI — Associação Teatro Nacional de Rua.

O projeto começou em 2017, quando o dramaturgo conheceu um dos responsáveis pelo Burning Man num festival internacional de teatro. O mote da participação era o fogo, um elemento que sempre esteve presente nas criações da Artelier?, que produz obras híbridas e interativas que cruzam várias expressões artísticas.

O desenho do protótipo.

A ideia surgiu nessa altura e “O Nome da Rosa” começou a ser construída para a edição de 2019. Nuno Paulino esteve no Burning Man nos últimos anos para conhecer o local e a comunidade. Estas viagens foram fundamentais para perceber que instalação funcionaria naquela paisagem árida, com ventos fortes e onde o pó é constante.

Cerca de 800 projetos candidataram-se à edição deste ano do Burning Man, que arranca a 25 de agosto. Só 62 é que foram selecionados para integrarem o recinto do evento. A peça foi ainda premiada com o Honoraria Grant, que distingue as principais criações do festival de Black Rock City.

A Artelier? lançou agora uma campanha de crowdfunding para recolher apoio suficiente para cobrir as despesas de transporte — da própria instalação e da peça — até aos EUA. A organização espera angariar mais de 12 mil euros na plataforma Indiegogo.

O projeto completo custa cerca de 45 mil euros mas o Burning Man só financia até perto de nove mil euros. A Direção Geral de Artes e a autarquia de Loures também estão a patrocinar a presença de “O Nome da Rosa” no deserto do Nevada.

No ano passado, os robôs foram o grande tema do evento e o grande destaque foi uma esfera gigante simplesmente chamada Orb. Recorde o roteiro do festival que a NiT fez com a portuguesa Raquel Strada, que visitou Black Rock City em 2016.

À parte das dezenas de instalações deste ano, há um ritual que nunca falha no Burning Man: queimar a figura de um homem em jeito de celebração para terminar oficialmente o festival. Daí o nome — Burning Man.