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Música

Sara Cruz: a açoriana que quer construir um estúdio de música sem sair da ilha

A finalista do concurso New Talent começou a tocar bateria aos sete anos, tem dois EP gravados e uma carreira pela frente.
Foto: João Dutra.

O pai foi músico quando era adolescente e até teve uma banda de garagem; e o avô paterno, Victor Cruz, gravou discos e fez digressões em Portugal. Com esta árvore genealógica não é de estranhar que Sara Cruz tenha começado a tocar instrumentos quando tinha apenas sete anos.

O primeiro brinquedo musical foi uma bateria, presente de uns primos que foram visitá-la à Ilha de São Miguel, nos Açores. “O meu pai ensinou-me a tocar e percebi logo que gostava de música. No Natal seguinte, recebi uma guitarra clássica. Fiquei encantada desde os primeiros acordes deste instrumento que me acompanha até hoje”, conta à NiT Sara Cruz, uma das dez finalistas do projeto New Talent — que resulta de uma parceria entre a NiT, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a TVI e que pretende encontrar o maior jovem talento português.

Apesar de não ter assistido ao auge da carreira do avô, as suas histórias como músico, os discos de vinil e as respetivas composições foram uma grande inspiração para a neta. Sara Cruz aprendeu o resto através da Internet, com a guitarra ao colo e os olhos no computador. 

A licenciatura em Comunicação Social e Cultura, na Universidade dos Açores, e o estágio na rádio Antena 1 fazem parte do plano B da cantora e compositora. Nesta fase da vida, o que ela quer mesmo é investir na carreira musical.

“Hoje sobrevivo da música. Tenho dado alguns concertos e estou a compor também. Fui nomeada um dos novos talentos da Fnac no ano de 2019, em conjunto com outros 38 artistas, e lancei meu segundo EP a solo este ano”.

Conseguir que a sua música chegue além da ilha açoriana é um dos objetivos de Sara Cruz. A cantora e compositora diz que o som que inventa é uma mistura de indie, folk e pop. O tema das composições surge a partir das experiências que vive — amores, desamores e situações do quotidiano que testemunha.

“É muito autobiográfico, mas sem ser uma página de diário. Tudo que componho vem de algo verdadeiro, real e que de alguma forma eu sinto ou experimento. Depois, elaboro um bocado, pego neste sentimento e exploro-o”.

Foto: João Dutra.

O facto de viver nos Açores tem coisas boas e más. A parte boa é que, por ser um território mais pequeno, é fácil aparecer e apresentar o seu trabalho. Por outro lado, é difícil expandir a música além-mar e dar um salto para Portugal continental e de lá para o mundo.

Por enquanto, Sara Cruz vai atuando em bares e espaços mais intimistas, mas a voz doce e a intensidade da letras já a levaram para palcos maiores. Ela abriu os concertos de várias bandas nacionais como Amor Electro, Xutos & Pontapés, Diogo Piçarra e Simone de Oliveira. No Festival Maré de Agosto, na ilha de Santa Maria, foi convidada pela cantora brasileira Maria Gadú para cantar uma música ao seu lado.

Ser uma das dez finalistas do New Talent é sonhar com o desenvolvimento da sua identidade como artista e com a possibilidade de ajudar outros músicos independentes.

“Com este prémio [10 mil euros], eu gostava de montar um pequeno estúdio. Um espaço onde eu poderia criar e gravar as minhas canções sem ser cobrada por hora nem trabalhar contra o relógio. Eu faria tudo ao meu tempo, sem pressão e poderia experimentar diferentes sons e perceber que outros caminho posso explorar como artista. Como sou amiga de muitos criativos e músicos, teria imenso gosto em partilhar o estúdio com eles, de forma mais acessível, porque bem sei como faz falta”.