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Música

Sam The Kid: “A última vez que senti magia foi em 2011″

O rapper e produtor de Chelas tem um novo álbum — ou compilação. Chama-se “Mechelas” e falou com a NiT sobre o disco.

O rapper tenta escrever e produzir todos os dias.

Chelas, Lisboa, poucos minutos depois das 15 horas. Sentamo-nos com Samuel Mira ao lado do prédio onde sempre viveu, em frente da Escola Secundária D. Dinis, na Rua Manuel Teixeira Gomes. Lá em cima, no sétimo piso — ou no 7.º Céu, como o rapper e produtor lhe chama — é onde fica o seu Quarto Mágico.

Foi lá que Sam The Kid, o seu nome artístico desde cedo, gravou os primeiros temas e trabalhos, criou os primeiros instrumentais e escreveu as primeiras rimas. Além disso, foi, durante os anos 90 e início dos anos 2000, um local de passagem e ponto de encontro de vários rappers, DJ e produtores portugueses que desenvolveram um movimento cultural que hoje está em (quase) todos os festivais e rádios do País.

Sam The Kid já não vive ali, mudou-se há pouco tempo — ainda nem sequer sabe a nova morada de cor —, mas continua em Chelas. O nome do bairro lisboeta está também presente na sua plataforma e canal de YouTube TV Chelas, que criou há um par de anos, e no título da sua nova compilação/álbum, “Mechelas” — que é o título da conta de Sam The Kid no Instagram e que até aqui poucos sabiam o que significava.

“Mechelas” foi lançada a 12 de outubro e reúne faixas que o rapper foi lançando no seu canal desde que criou a TV Chelas. Todas têm instrumentais produzidos por si, mas são quase todas com convidados — este disco tem participações de Sir Scratch, Bob da Rage Sense, Boss AC, Bispo, Maze, Grognation, Blasph ou Phoenix RDC, entre vários outros.

Está disponível em CD na loja digital de Sam The Kid, onde pode ser encomendada por 10€. Foi uma edição completamente independente. À NiT, antes de começar a conversa, diz que as idas aos correios têm sido frequentes — cada vez que lá vai entrega centenas de CD que são distribuídos pelos fãs que estão espalhados por todo o País.

A NiT falou com Sam The Kid sobre o novo disco, mas também os outros projetos em que está envolvido, a sua rotina criativa, a importância de Chelas ou o estado atual do hip hop em Portugal.

Porque deu o nome “Mechelas”, que é o mesmo da sua conta de Instagram, a esta compilação? O que é, afinal, mechelas?
Ainda bem que fazes essa pergunta, que muita gente não sabe. Há pessoas que dizem “me Chelas”, como se fosse uma cena “you Jane, me Tarzan”, não tem nada a ver com isso [risos]. É mesmo mechelas. Sempre fui uma pessoa com uma cabeça grande, desde miúdo, e em termos de insultos de putos para putos, carinhosos até, já ouvi 30 sinónimos para cabeçudo. “Ó marmitas! Ó cabeças! Ó carolas! Ó mechelas!” E mechela é cabeça.