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Música

Frente a frente: Conan Osíris é o novo António Variações da música portuguesa?

Ambos trabalharam ao balcão, tornaram-se profissionais aos 30 anos, tinham o fado como referência e um visual excêntrico.
Conan Osíris tem 30 anos, Variações morreu aos 39.

Conan Osíris é a grande estrela em ascensão da música portuguesa. Desde que triunfou na primeira semifinal do Festival da Canção — a 16 de fevereiro —, que se podem ler todos os dias milhares de comentários sobre o lisboeta nas redes sociais. Há quem escreva mensagens de ódio e o acuse de produzir “música ridícula”; e há quem se curve perante o seu “génio inovador”.

Independentemente das opiniões, Conan Osíris chegou, apresentou-se e dividiu grande parte do País. “Telemóveis” é a canção que compôs e interpretou para o Festival da Canção. Soma quase dois milhões e meio de visualizações no YouTube na versão de estúdio — e mais de um milhão e meio de visualizações na interpretação ao vivo.

Esse furor deu resultados no concurso da RTP. Conan Osíris foi o candidato mais votado pelo público e um dos oito apurados para a final, que acontece este sábado, 2 de março, na Portimão Arena.

Tanto o vídeo original do tema como a performance no Festival da Canção — onde foi acompanhado pelo seu bailarino João Reis Moreira e duas cantoras a dar vozes de apoio — têm dezenas de comentários de fãs estrangeiros da Eurovisão a dizer que está ali material potencialmente vencedor.

Com um ambiente escuro e em tons vermelhos, Conan Osiris apresentou uma performance intensa que roubou o espetáculo. Havia um lance de escadas para retratar de forma literal parte da letra de “Telemóveis”, uma coreografia pensada e bem executada. No fundo, tratou-se de uma extensão daquilo que o músico português se habituou a apresentar em palco no último ano. Desta vez levou uma máscara dourada — a NiT explica de onde veio esse artefacto peculiar, que foi pensado pelo próprio músico.

Só agora é que Conan Osíris se está a tornar famoso em todo o País, mas a sua ascensão meteórica tem acontecido ao longo do último ano. Tudo começou quando lançou o terceiro álbum da carreira, “Adoro Bolos”, no último dia de 2017, precisamente a 31 de dezembro.

Tornou-se uma estrela emergente dentro dos circuitos da música alternativa e ao longo de 2018 ganhou uma dimensão pop. Tocou em festivais como o Vodafone Paredes de Coura, Bons Sons, Belém Art Fest ou Super Bock em Stock, entre vários outros.

Foi ainda contratado pela NOS para a campanha publicitária A Minha Casinha é GiGa, que levou vários músicos portugueses conhecidos a fazerem as próprias versões da canção “A Minha Casinha”, escrita originalmente por João Silva Tavares e António Melo e popularizada mais tarde pelos Xutos & Pontapés.

E tudo isto sem nenhuma máquina por trás. Conan Osíris lançou o álbum através de uma pequena editora independente chamada AVNL Records e as suas músicas só foram lançadas oficialmente na plataforma SoundCloud e no BandCamp — só em fevereiro, mais de um ano depois, é que passaram a estar disponíveis no Spotify e no iTunes.

Neste último ano têm sido frequentes as comparações a António Variações, ícone da música portuguesa que teve um grande sucesso no início dos anos 80, antes de morrer de forma repentina em 1984 — e que, tal como Conan Osíris, ficou conhecido pelo visual excêntrico, entre outras coisas.