Música

Rock in Rio: histórias da edição no Brasil que parecem saídas de um filme

Um carteirista foi apanhado pelo público, uma fotógrafa foi assaltada no meio do mato e há quem levante acreditações para trabalhar mas prefira ir divertir-se.

Fotos de I Hate Flash/Rock in Rio.

A organização do Rock in Rio só festeja e respira realmente de alívio quando as portas de uma edição fecham sem incidentes. É assim em Portugal, no Brasil e em qualquer outro país pelo qual passe o festival. Contudo, a cidade onde o evento nasceu, em 1985, continua a ser aquela que tem mais obstáculos para ultrapassar.

A maioria paga 122€ por um bilhete, passa o ano inteiro à espera deste momento. Quando chega o dia, o único objetivo é aproveitar tudo (sejam concertos ou experiências) e não arranjar confusões. Ainda assim, elas existem — como em qualquer lado, é óbvio — mas no Rio de Janeiro parecem ainda mais insólitas.

A própria equipa do evento admite que o público português é mais ordeiro e que “quem faz um Rock in Rio Brasil, faz o de Lisboa com uma perna às costas”. As palavras são de Ricardo Acto, o homem que coordena o Centro de Controlo de Operações e que tem de saber a toda a hora o que se passa no recinto.

Há pessoas que tentam entrar com identificações falsas, outras que são contratadas para trabalhar mas que largam as acreditações para poderem divertir-se e as patrulhas na Lagoa de Jacarepaguá são constantes para evitar a venda de droga.

Antes de lhe contar as histórias desta edição — de 15 a 17 e entre 21 e 24 de setembro — que parecem saídas de um filme, é preciso dizer que nunca, fosse durante o dia ou à noite, me senti insegura no recinto. Demorava muito tempo a chegar de um ponto ao outro, circulava por entre milhares de pessoas e não houve qualquer problema. Está montada uma gigantesca operação que tenta controlar tudo o que é possível. O que não é possível passa-se, muitas vezes, já fora das vedações.

O carteirista

Já o primeiro dia, 15, do Rock in Rio estava terminado quando à porta do hotel — a comitiva portuguesa ficou instalada mesmo ao lado do recinto — se começou a ouvir uma onda crescente de ruído. Da janela do quarto viu-se um grupo de pessoas que começou a correr no mesmo sentido. Gerou-se uma mini onda de pânico que, ainda assim, desapareceu quase tão depressa como apareceu. Soube no dia seguinte que tudo tinha sido causado por um carteirista, que acabou imobilizado no meio do público por não ter por onde fugir.

Sendo o mesmo ou não, não é possível confirmar, no sábado foi detido um homem exatamente na mesma zona com 28 telefones roubados, escreveu o “Jornal do Brasil”. 

Os carteiristas gostam de trabalhar à saída do recinto.

A fotógrafa assaltada

No domingo, 17, uma história que em Portugal estaria certamente em muitos jornais era contada com banalidade na sala de imprensa. Uma fotógrafa explicava que na sexta-feira, 15, após sair do recinto, tinha sido parada por um grupo de assaltantes. Levaram-na para “o meio do mato” e roubaram-lhe todo o material. “Mas ao menos estou viva”, dizia como se explicasse apenas que não tinha perdido o telemóvel ou qualquer outro bem substituível. O certo é que, ao início da tarde de domingo, já estava novamente equipada com várias máquinas e pronta para trabalhar.

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