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Música

Rock in Rio: os Red Hot Chili Peppers são incríveis e provaram-no mais uma vez

A banda americana foi a grande cabeça de cartaz do primeiro dia do segundo fim de semana do festival.
O grupo atuou esta quinta-feira, 3 de setembro.

“Can’t stop, addicted to the shindig”. Foi com estas palavras — que se referem a uma enorme festa e celebração, e pertencentes à música “Can’t Stop” — que Anthony Kiedis começou um dos grandes concertos do segundo fim de semana de Rock in Rio, depois de uma enérgica e poderosa entrada.

Foi um bom e sucinto resumo para as duas horas de espetáculo dos Red Hot Chili Peppers que iriam acontecer no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, no Brasil, esta quinta-feira, 3 de outubro. A NiT está a acompanhar o festival desde o arranque, a 27 de setembro.

Os Red Hot Chili Peppers podem ter começado a carreira no já longínquo ano de 1983, mas a idade só tem feito bem às suas performances. O ritmo seguro de Chad Smith, o groove (e ligeira insanidade) de Flea, o carisma e a voz de Anthony Kiedis e a energia e a mestria de John Frusciante são uma combinação explosiva em palco — e só a conjugação destes elementos todos pode explicar o tamanho sucesso e qualidade da banda americana.

Mostram-se super experientes na difícil arte de dar um bom concerto — mas mantêm a energia visceral e jovem típica do rock que só é alimentada ainda mais pelo público aos gritos e saltos, de braços no ar, ansioso por cantar a uma só voz com os seus ídolos. A adesão do público foi bastante forte nesta atuação dos Red Hot Chili Peppers — provavelmente foi, até agora, o cabeça de cartaz que foi melhor recebido pela plateia nesta edição do festival.

O grupo estende e alarga as músicas tanto quanto preciso, tal como fizeram os Foo Fighters há uns dias no mesmo palco. É uma abordagem muito musical, trabalhada, e esse é uma das grandes valências do rock n’ roll ao vivo. 

A banda fez várias covers.

O alinhamento foi bastante equilibrado, com altos e baixos de energia bem pensados, alguns dos maiores hits da banda e temas menos populares. Facilmente os Red Hot Chili Peppers faziam um concerto apenas com singles de platina, mas o grupo é ousado o suficiente para não tocar só faixas orelhudas e leva todo o seu espírito rock n’ roll aos concertos, desafiando os fãs e a si próprios com temas mais intensos e aguerridos, menos fáceis de digerir pela maior parte do público.

Os momentos que se tornaram mais entusiasmantes foram, porém (e como seria de esperar), canções como “Dani California”, “By the Way”, “Californication” (com várias mulheres a subirem às cavalitas), “Aeroplane” ou “The Zephyr Song”, sendo que a atuação terminou com o clássico “Give it Away”. Houve ainda tempo para covers de The Stooges (“I Wanna Be Your Dog”), Funkadelic (“What Is Soul”) e The Cars (“Just What I Needed”), cujo histórico vocalista Ric Ocasek morreu recentemente.

Em noite de aniversário, o guitarrista Josh Klinghoffer quis ainda tocar e cantar sozinho “I Don’t Wanna Grow Up”, cover de Tom Waits. Foi assim que arrancou o encore, que foi bastante pedido pelos fãs (ao contrário do que aconteceu no caso de Bon Jovi).

Como é habitual, Flea também cantou um pouco e foi mandando as suas tiradas imprevisíveis ao microfone — mencionando o trânsito de duas horas e meia que tinham apanhado a caminho do recinto ou dizendo que tinha acabado de vomitar na própria boca.

Os Red Hot Chili Peppers provaram (mais uma vez) que são uma das grandes bandas de estádio do século, sem ter falhado qualquer pormenor durante toda a atuação. É caso para cantar “Can’t stop, addicted to the shindig”.