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Música

Rock in Rio: no dia do heavy metal os reis foram os Iron Maiden

A banda encabeçou o cartaz do festival no Rio de Janeiro, no Brasil, esta sexta-feira, 4 de outubro.
O grupo tocou os maiores sucessos.

O Parque Olímpico do Rio de Janeiro, no Brasil, encheu-se de T-shirts pretas nesta sexta-feira, 4 de outubro, para o dia do Rock in Rio dedicado ao heavy metal — que Portugal deixou de ter nas últimas edições, mas que continua forte do outro lado do oceano.

O dia que teve os Iron Maiden como cabeças de cartaz, mas ainda Scorpions, Slayer, Anthrax, Helloween ou Sepultura, entre outras bandas e músicos, esgotou os 100 mil bilhetes diários em apenas um dia. 24 horas chegaram para os fãs do metal irem às bilheteiras e não sobrar nem apenas um ingresso.

Um dos maiores grupos do género, de calibre de concertos de estádio, são os Iron Maiden. A banda britânica tem milhões e milhões de fãs por todo o mundo e nos últimos dias foi fácil perceber a sua presença no Rio de Janeiro, tal a quantidade de pessoas com T-shirts da banda nas ruas, sobretudo nos locais mais turísticos, o que sugere que sejam fãs que seguem o grupo pelo mundo fora.

Ao vivo, os Iron Maiden provaram que todo este fenómeno é mais do que justificável. Em todos os dias do evento até agora, foi provavelmente a banda cabeça de cartaz que melhor foi recebida pelo público. E também pareceu a ocasião em que a área do Palco Mundo estava mais compacta, com menos espaço para circular.

A multidão estava entusiasmada e eufórica. No que os brasileiros falham no domínio do inglês (na maior parte dos casos os fãs não sabem cantar as letras completas por terem dificuldades com a língua), compensam na energia. 

No palco, o líder Bruce Dickinson é um autêntico capitão desta armada de heavy metal. O público reage instantaneamente às suas palavras e pedidos. Bastou levantar os braços ou fazer outros gestos para que a multidão o imitasse em massa, sem o vocalista ter de dizer uma única palavra.

Os espetáculos dos Iron Maiden têm uma forte componente teatral e dramática — desde a presença da famosa mascote Eddie à espada que Dickinson usou, passando pela máscara, o enorme avião ou a corda com nó que esteve pendurada em palco. As narrativas presentes nas letras ajudam a que todo este universo seja coerente e faça sentido.

“The Clansman” (uma canção sobre “liberdade”, seja como for que a “quiserem interpretar”), “The Wicker Man”, “Trooper”, “The Number of the Beast” — com direito a número especial de fogo — e, claro, “Fear of the Dark” e “Run to the Hills” foram os temas recebidos com maior delírio, com muitos braços no ar e gritos durante a atuação. Muitas das faixas, claro, foram alargadas e tocadas com imensos riffs e solos (processo que por vezes se pode tornar excessivo, mas que é algo típico do metal e do rock mais pesado).

Apesar da idade, os Iron Maiden continuam com um enorme poder (e, claro, experiência) em palco, que os tornam numa das melhores bandas ao vivo do seu tempo, que ainda é este, pois claro. Para relembrar a sua história e a ligação com o Brasil, fizeram várias referências ao concerto que deram na primeira edição de todas do festival, também no Rio de Janeiro, no ano de 1985. “Todos os concertos são tão bons como o primeiro, amamo-vos.”