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Revenge of the 90’s reúne mais de 100 empresas de eventos para ajudar hospitais

A iniciativa pretende juntar organizações com recursos e influência de forma a travar a pandemia do novo coronavírus.
As festas atraem milhares de pessoas.

Poucos setores estão a sofrer tanto com a pandemia do novo coronavírus como o dos eventos. Organizações como a da Revenge of the 90’s — que promove as festas épicas com música dos anos 90 — tiveram de adiar, por força das circunstâncias, algumas das datas que tinham marcadas para os próximos meses.

“Basicamente o negócio está 100 por cento parado. Não há eventos a acontecer”, revela à NiT Paulo Silva, um dos fundadores do projeto. O impacto económico é enorme: basta pensar que existem cerca de 30 mil pessoas no nosso País a trabalhar nesta indústria, desde controlo de multidões, centros de compras, logística e construções de estruturas complexas.

“A malta está muito preocupada com o futuro das suas empresas e nós também”, começa por explicar o organizador de eventos sobre a situação do setor. “Estamos a fazer de tudo para as proteger ao máximo. Toda a gente queria saber como é que íamos resolver isto, mas ninguém estava a perguntar o que é que nós podíamos fazer pelo País e pelas pessoas”, continua.

Foi nesta linha de pensamento que se juntou a Diogo Marques, do EDP Vilar de Mouros, e Ricardo Acto, do Rock in Rio Lisboa, para criarem uma iniciativa cujo objetivo é lutar contra a pandemia da Covid-19. Num comunicado lançado na passada sexta-feira, 20 de março, anunciaram a sua disponibilidade para ajudar aqueles que estão na linha da frente, seja com a construção de hospitais temporários, centros de triagem ou salas de isolamento, mas também disponibilizando material que têm em armazém e que podem emprestar.

Tendas, contentores, mobiliário, geradores, aquecedores, sistemas de canalização e sistemas elétricos são alguns dos materiais essenciais que os organizadores de eventos pretendem colocar ao serviço de uma causa maior. “Queremos usar a nossa experiência para ajudar no que for preciso, para pormos as mãos a bom uso e controlar mais rapidamente a epidemia e os setores que estão a ser mais afetados”, conta Paulo.

Até agora, já se juntaram à iniciativa 118 empresas, um número que, explica-nos, não para de aumentar. Para se organizarem, existe um grupo no WhatsApp com todos os representantes, onde os pedidos que chegam da linha da frente são partilhados. “Ontem por exemplo caiu um pedido de walkie-talkies para o Egas Moniz e alguém do grupo conseguiu que a SIC Esperança ajudasse. Há sempre alguém que pode ajudar. Nós queremos chegar a essas pessoas e perguntar-lhes se o podem fazer”, explica.

Curry Cabral, Estefânia e São José são outros dos hospitais a que a iniciativa já chegou com, por exemplo, camas disponibilizadas pelo IKEA para que o pessoal médico possa descansar. Além de fazer a ponte entre as empresas e os hospitais, o grupo faz ainda o transporte das mercadorias e garante que tudo é tratado com a máxima transparência.

No entanto, a ajuda nunca é de mais, e Paulo faz um apelo para que os proprietários de espaços ou de outros meios que possam ajudar a causa se juntem à iniciativa preenchendo os formulários disponíveis — sendo mais tarde contactados para serem adicionados ao grupo de WhatsApp.

Sobre a forma como a Revenge of the 90’s está a lidar com as medidas da pandemia, Paulo Silva explica que continuam a alimentar as redes sociais, além de estarem a pensar em novas ideias para monetizar o negócio online. “Estamos a dar muito conteúdo gratuito, mas estamos também a tentar perceber se haverá alguma maneira de criar rendimento. Aproveitar que as pessoas estão em casa e online para desenvolver um conceito diferente.”

Para já, a organização foi forçada a adiar duas festas — que podem atrair cerca de quatro mil pessoas, em média — e está à espera de que a situação melhore (e o governo o permita) para poder retomar. Ainda assim, acreditam que tempo passado entre quatro paredes também pode ser produtivo. “Queremos aproveitar para nos reinventarmos e fazer alguma coisa diferente, sem ser só estar em casa a lamentar-nos”, conclui Paulo Silva.