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Raptada e drogada durante semanas: Duffy conta tudo sobre a violação

A cantora galesa revelou mais detalhes sobre o episódio que a obrigou a afastar-se durante quase uma década.
Desde "Mercy" que Duffy desapareceu dos palcos

“Foi no dia do meu aniversário. Drogaram-me num restaurante e estive sob o efeito das drogas durante quatro semanas em que viajei para um país estrangeiro. Não me lembro sequer de ter entrado no avião”. Duffy, a artista galesa que ficou conhecida pelo êxito “Mercy” em 2008, voltou a falar do episódio traumático que a manteve afastada durante uma década. A cantora, que em fevereiro revelou o motivo da ausência prolongada, volta agora a recordar com mais detalhe o episódio de violação de que foi vítima.

Numa publicação partilhada no seu site oficial, a artista explica que depois de ter sido drogada e de não ter qualquer recordação da viagem, deu por si num quarto de hotel onde o agressor a violou.

“Recordo-me da dor e de tentar manter-me consciente depois de tudo ter acontecido”, conta. A galesa revela ainda que conseguiu fugir, mas não adianta mais detalhes, até porque diz não se lembrar de como é que chegou a casa.

“Cheguei a pensar fugir para a cidade mais próxima enquanto ele dormia, mas não tinha dinheiro e tinha medo que ele chamasse a polícia. Não sei como tive força para aguentar esses dias (…) voltei com ele de avião, mantive-me tão calma como uma pessoa normal pode estar numa situação destas. Quando cheguei a casa, sentei-me, atordoada, como um zombie. Sabia que a minha vida estava em perigo, ele fez ameaças veladas de que me queria matar.”

“Sabia que a minha vida estava em perigo, ele fez ameaças veladas de que me queria matar”

Foi já em casa que a cantora foi mantida sob a influência de drogas durante quatro semanas até que eventualmente “fugiu”, sem dar mais detalhes sobre a forma como o fez. Sem revelar quem foi afinal o agressor, explica que “a identidade do violador deve apenas ser conhecida da polícia” e que essa é uma questão sua e das autoridades.

Sem memória do regresso, Duffy explica que a primeira vez que voltou a si foi graças a um conhecido, que passou por sua casa e a encontrou “na varanda, a olhar para o espaço vazio, embrulhada num cobertor”. “Não me lembro de como fui ali parar”, confessa. “O meu conhecido disse que estava completamente amarela, como se estivesse morta”.

O trauma fez com que passasse “semanas e semanas” sem ver uma única pessoa. “Tirava o pijama, atirava-o para a lareira e ia buscar outro. O meu cabelo ficou com tantos nós que era impossível de pentear. Cortei-o todo.”

Pelo caminho — e com a ajuda de um psicólogo —, foi tentando retomar uma vida normal. Teve alguns encontros românticos, mas eles queriam “a pessoa que estava na capa do disco”, coisa que Duffy já não era: “Era apenas uma pessoa magoada”. Nem a família foi capaz de ajudar, já que a própria tratou de a afastar, fruto de tantos e tantos meses de ausência. “Foi o preço a pagar por me esconder durante a última década. Acabei por alienar-me de todos”, escreve.

Quanto à carreira, Duffy explica que foram muitas as vozes que a avisaram de que não deveria tornar pública a violação. “Alguns disseram que isso terminaria quaisquer chances que eu pudesse ter de voltar a fazer música, que seria desprezada pelo público ou que me chamariam de egoísta pelo facto de o violador ainda estar à solta”, escreve.

O trauma afetou a de tal forma que Duffy confessa ter ponderado desaparecer: “Explorei leis de direitos humanos para mudar o meu nome e desaparecer para outro país e talvez tornar-me florista ou outra coisa qualquer, isto para que pudesse deixar o passado para trás com uma nova vida”.