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Música

NOS Alive: vi os Ornatos Violeta ao vivo pela primeira vez (e sou tão sortudo)

A banda voltou aos palcos após pausa de sete anos, tudo para celebrar o 20.º aniversário de “O Monstro Precisa de Amigos”.
A banda atuou no primeiro dia da edição deste ano do NOS Alive.

Antes de começar a escrever sobre o concerto dos Ornatos Violeta no NOS Alive — esta quinta-feira, 11 de julho, no arranque da 13.ª edição —, tenho de deixar algo bem claro: eu não faço parte da geração de miúdos que passaram a adolescência a ouvir os temas de “O Monstro Precisa de Amigos”. É um dos álbuns mais icónicos da banda portuense e o grande responsável por levar o grupo de novo aos palcos — sete anos depois da última reunião. Muito menos fui uma das pessoas que vibraram com temas como “Punk Moda Funk” ou “O Amor é Isto”, do primeiro disco, “Cão!”, lançado em 1997.

Nessa altura tinha apenas dois anos — bem sei, sou novo, nasci em 1995 (apesar de já terem passado 24 anos) — e não fazia ideia que todo este tempo depois, em 2019, estaria a ver os Ornatos Violeta ao vivo. Não tenho dúvidas ao dizer que era um dos concertos mais esperados deste ano no NOS Alive, mesmo que esta não seja a edição mais concorrida de sempre.

Atrás de mim, à minha frente, ao meu lado, milhares e milhares de pessoas estão juntas para receber de novo os Ornatos em Lisboa. Muitos delas eram os tais adolescentes que cresceram a ouvir “O Monstro Precisa de Amigos”. Mas muitos outros — quase em igual número, se calhar — são precisamente os da minha geração.

Manel Cruz aprovou o público que teve à frente.

É uma geração curiosa — no que diz respeito aos Ornatos Violeta. Não nos lembramos dos tempos áureos do grupo, que teve uma carreira relativamente curta, mas não é por isso que deixamos de o admirar. Todos eles, à minha volta — mais velhos e mais novos — sabem de cor as letras cantadas com alma por Manel Cruz, o carismático vocalista.

É, aliás, uma geração que consegue compreender ainda melhor o quão especial é este momento. Muitos de nós não tivemos a oportunidade de os ver em 2012, quando aconteceu a tal reunião, e nunca conseguimos cantar ao vivo temas como “Ouvi Dizer”, “Chaga”, “Dia Mau” ou “Capitão Romance”, algumas das faixas mais cantadas (e bem) pelo público — muitos deles, lá está, da minha geração. Sobretudo os que estavam na frente do palco e apareciam nos ecrãs gigantes.

Somos órfãos dos Ornatos Violeta e por isso temos um carinho muito especial por eles. A música da banda envelheceu sem nunca perder nada — só ganhou valor e provou qualidade. A primeira música que ouvimos no concerto foi, apesar de tudo, uma cover de “Circo de Feras”, original dos Xutos & Pontapés. 

A banda esteve enérgica em palco.

À terceira canção, Manel Cruz já estava sem T-shirt — a sua grande imagem de marca é a figura magra e enérgica em palco. Tal como eu, muitos fãs viram-no a tocar a solo — ou em projetos como Foge Foge Bandido ou SuperNada — mas não é a mesma coisa. Não é Ornatos.

O que se seguiu foi um desfile de temas icónicos — sempre a homenagear “O Monstro Precisa de Amigos”. Ouvimos “Coisas”, “Notícias do Fundo”, “Deixa Morrer” (descrita como “uma das músicas mais bonitas dos Ornatos” pelo vocalista, sendo que o público concordou), “Nuvem”, “O.M.E.M.” e “Fim da Canção”. O grupo experiente esteve em grande forma e manteve a garra e paixão da juventude que tanto caracterizou o seu curto percurso. E é bom vê-los felizes em palco.

Manel Cruz brindou com todos “por um mundo melhor” e explicou a importância do momento. “Sei que não acontece muitas vezes, mas é esse o encanto das coisas boas.” É mesmo por serem tão raros que os concertos de Ornatos Violeta são sempre tão especiais (mesmo que tenham deixado uma geração órfã).

Os Ornatos são uma banda transversal.