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Música

NOS Alive: os The Cure roubaram a noite com um ótimo concerto para os fãs

A banda de Robert Smith foi a cabeça de cartaz no arranque da 13.ª edição do festival.
A banda regressou a Portugal três anos depois.

Já lá vão 43 anos — sim, esses mesmo — desde que os The Cure se formaram, em 1976, numa cidade inglesa chamada Crawley. Se hoje já não são o grupo musicalmente mais relevante, a idade e o envelhecimento só provaram ser boas coisas para esta banda no arranque da 13.ª edição do NOS Alive, esta quinta-feira, 11 de julho, em que o grupo foi cabeça de cartaz.

Robert Smith, o vocalista, é a grande estrela da formação. De qualquer forma, ao seu lado estão outros músicos igualmente experientes e talentosos que souberam dar um concerto formidável de cerca de três horas. Isso já se tornou um hábito para os The Cure, que atuaram pela última vez em Portugal há três anos, na MEO Arena (o espaço só mudou de nome um ano depois), em Lisboa.

O espetáculo durou quase três horas.

Não há espaço para falhas — e, ao mesmo tempo, tudo parece tão natural e descontraído, mesmo que tenham milhares de pessoas à sua frente no Palco NOS. A longa discografia da banda serviu de base para o espetáculo, apesar de haver um foco especial em “Disintegration”, disco que celebra 30 anos em 2019.

Numa performance de The Cure tanto podemos ouvir os temas rock mais alegres e despreocupados como as canções de um lado mais gótico e melancólico — aquele que milhares de adolescentes ouviram sozinhos no quarto de porta fechada nos anos 80 e que está retratado na forma como Smith e o resto do grupo se apresentam em palco (sobretudo o vocalista, que aparece, como sempre, maquilhado e com o seu penteado gótico característico).

Conseguiram transportar os fãs para este universo tão deles — daqueles imaginários próprios que só podem ser criados por uma verdadeira banda de culto, mesmo que este seja um culto grande, já que terá sido o grupo a levar mais gente ao Passeio Marítimo de Algés neste dia, apesar do momento especial que foi o regresso dos Ornatos Violeta. 

Em 2019, os The Cure mantêm o mesmo vigor e vitalidade em palco e beneficiam de toda a experiência que têm, mesmo que já funcionem como uma banda de nostalgia — que as pessoas querem ouvir sobretudo pelos seus grandes (e já antigos) hits. Foi o caso de “Lovesong”, “Lullaby”, “Friday I’m in Love” (com quase todo o público a entoar a letra) e, claro, para fechar, a enorme “Boys Don’t Cry”.

Foram esses alguns dos temas em que a plateia reagiu com mais entusiasmo, mas também ouvimos “Close to Me”, “The Caterpillar”, “Pictures of You”, “High”, “Last Dance” ou “One Hundred Years” com agrado. Uma das melhores qualidades na carreira dos The Cure são os espetáculos ao vivo e eles continuam a provar isso dia após dia, 43 anos depois.

Robert Smith mantém o fulgor de sempre.