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Moonspell: “Há pessoas que tiram fotos comigo e não sabem bem quem é que sou”

A mais conhecida banda portuguesa de heavy metal vai dar um concerto especial este sábado no Campo Pequeno, em Lisboa, onde vão tocar três álbuns inteiros e gravar um DVD. A NiT falou com o vocalista, Fernando Ribeiro, no estúdio do grupo, conhecido como "Inferno".

A banda vai gravar um DVD ao vivo

Há 25 anos nasciam os Moonspell, a mais conhecida banda portuguesa de heavy metal. A banda liderada pelo vocalista Fernando Ribeiro começou com o nome Morbid God e, pouco depois de fazer as primeiras maquetes, assinou com uma grande editora e foi gravar o álbum de estreia à Alemanha.

Rapidamente começaram as suas digressões de meio ano pela Europa, consolidando um estilo musical descrito como metal gótico. Mais tarde, conquistaram o mundo com atuações que foram da Sibéria, na Rússia, ao Dubai, passando pelo México e pelos EUA.

O concerto mais especial de 2017 chega este sábado, 4 de fevereiro, e acontece no Campo Pequeno, em Lisboa. Os Moonspell vão fazer uma atuação de três horas, onde vão tocar três discos inteiros:  “Irreligious”, que está a celebrar o 20.º aniversário, o disco de estreia, “Wolfheart”, e o último álbum, de 2015, “Extinct”. Os bilhetes estão à venda entre os 25€ e os 35€ — e a ocasião é especial já que vão gravar um DVD com toda a atuação.

A NiT visitou o “Inferno” — o estúdio da banda que fica numa antiga quinta em Olival Basto, Odivelas, onde a banda compõe os seus álbuns e gere o seu império metaleiro internacional. Nos intervalos dos ensaios para o concerto no Campo Pequeno, Fernando Ribeiro arranjou tempo para falar connosco sobre os Moonspell.

Há quantos anos é que vivem no “Inferno”?
Nós fomos a primeira banda a vir para esta quinta. Penso que foi por volta de 2003. Agora é engraçado porque, depois de virmos para cá, demos alguns conselhos, porque era muito complicado — e ainda é — para uma banda portuguesa arranjar um local de ensaio que possa chamar seu e que possa ir às horas que quer e que não tenha de partilhar. E agora mais de 50% desta quinta é ocupada por bandas [Tara Perdida, The Temple, Sinistro].

Os vizinhos não vos chateiam com o barulho?
Nada, aliás, viemos para aqui mesmo para fazer barulho à vontade. Temos a sala isolada, ouve-se um bocadinho lá fora mas nada de mais. Em todo o caso, temos os vizinhos perfeitos: uma serralharia. Também aconteceu uma vez termos aqui uma igreja ao lado, provisoriamente. Porque a igreja daqui [Olival Basto] foi atingida por um raio [risos]. E uma vez interrompemos uma missa porque estávamos aqui a tocar e não vimos a nossa campainha, que é luminosa. O nosso vizinho é que nos disse. Nem foi um problema, nós estávamos cá primeiro.

Em relação ao concerto que estão a preparar, como é que é fazer atuações de três horas? Os 25 anos de carreira não pesam, ou até são uma vantagem?
Há vantagens e desvantagens. Parece que é um bocado contraditório para as pessoas, mas quanto mais velhos nos tornamos, os concertos também se tornam mais longos. É assim para nós e para todas as bandas, [porque] vamos tendo mais álbuns e um legado. Vamos interpretar três álbuns na íntegra, tentando também, visualmente, transmitir a atmosfera desses discos.

Qual é a importância destes álbuns no conjunto da carreira?
Temos vários álbuns e teríamos sempre de escolher um para idealizar um espetáculo. Portanto, pegámos no mote dos 20 anos do “Irreligious”. Sem dúvida que foi um álbum muito importante para os Moonspell a nível musical. Permitiu-nos soar mais como uma banda. E foi também nessa altura que começámos a viver da música, por falta de opção, até. Não tínhamos tempo para fazer mais nada. Não tínhamos tempo para retomar os estudos na universidade, nem para retomar os nossos trabalhos. Sem querer, já estávamos a fazer aquilo por que muita gente tinha lutado. Já tínhamos tournées de seis meses por ano e isso não mudou. Já o “Wolfheart” é um pouco para compensar os fãs de não termos parado em 2015 – porque tínhamos o “Extinct”- para fazer também uma celebração condigna a este primeiro álbum. Tocar o “Extinct” é uma espécie de statement, porque é o nosso álbum mais recente. E queremos demonstrar aos fãs, sejam old ou new school, que a banda ainda está viva.