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Metro de Lisboa vai ter mochileiros a vender café quentinho de manhã

A empresa 2East é um autêntico império e no Rock in Rio, no Brasil. Até desenvolveram uma mochila que serve M&Ms.
Vai começar já em novembro.

No Rock in Rio do Rio de Janeiro, no Brasil, todos os dias há mais de 100 mil pessoas a circular pelo recinto que é enorme — desde a edição de 2017 que o festival acontece no Parque Olímpico da cidade. Nos bastidores do evento, o público nem imagina a quantidade de pessoas que trabalham para que tudo corra bem. 

Uma das maiores operações é a da 2East, empresa portuguesa responsável por toda a venda ambulante do Rock in Rio — aqueles vendedores que servem cerveja, água, Coca-Cola, Red Bull e, neste caso, Doritos. Isto tudo sem o público precisar de ir a um bar reabastecer, perder parte de um concerto e provavelmente ter de esperar algum tempo numa fila.

Já tínhamos contado parte da história desta empresa no NOS Alive de há dois anos. Tudo nasceu da cabeça de Bruno Leste, que, em 2000, viu pela primeira vez num jogo de beisebol, numa viagem aos EUA, alguém a servir uma bebida de uma mochila a partir de uma mangueira e diretamente para o copo.

Era Pepsi mas percebeu logo que podia ser tudo aquilo que ele quisesse. Comprou dez exemplares, bastante rudimentares, e passou os quatro anos seguintes a aperfeiçoar a ideia e a própria empresa. Criou a estrutura e o sistema de enchimento — tudo feito em Portugal.

O primeiro grande evento foi o concerto de Phil Collins no Estádio José Alvalade, em julho de 2004. Os anos iniciais não foram fáceis — foi preciso trabalhar e insistir muito para que a sua ideia fosse aceite. Teve até de pedir um financiamento de 30 mil euros ao pai, que no início nem acreditava que a empresa do filho pudesse ter sucesso. 

Hoje o cenário é bem diferente. São os próprios eventos e marcas que contactam a 2East porque querem o seu serviço. Estão presentes em vários países e desde 2011 que têm uma sucursal no Brasil, na cidade de São Paulo, cujo responsável é o sócio de Bruno Leste, João Pedro Fernandes.

João trabalhava numa agência de música e conheceu Bruno porque trabalhavam nos mesmos eventos e festivais. “Ele casou com uma das minhas melhores amigas, por isso a relação ficou muito mais fortalecida”, conta João Pedro Fernandes à NiT.

“Entretanto cansei-me da área da música e fui para uma agência grande em Portugal trabalhar com empresas de bebidas como a Coca-Cola, Sogrape, Central de Cervejas. O Bruno disse-me que estava a pensar ir para o Brasil, e eu disse que ia se fosse como sócio. Começou por ser uma brincadeira de Facebook e quando demos por nós a decisão estava tomada. Viemos para o Brasil em 2011, estive cerca de dois meses em São Paulo e dois meses no Rio só a estudar o mercado.”

João Pedro Fernandes e Bruno Leste no quartel-general.

Acabaram por se fixar em São Paulo, mesmo que atualmente tenham também uma sucursal no Rio de Janeiro. Trabalham em eventos em todos os principais estados do país e fizeram o primeiro Rock in Rio no Brasil em 2013. A tendência tem sido de crescimento de ano para ano, sempre na ordem dos dois dígitos.

Neste Rock in Rio, há mais de 620 mochileiros a circular pelo recinto. É a maior operação de sempre da 2East. As vendas de cerveja que fazem equivalem a cerca de 30 por cento daquilo que o festival vende na sua totalidade — mas essa percentagem chega para vender mais do que qualquer festival em Portugal.

Espalhados pelos bastidores do recinto estão quatro pontos da 2East. Cada um poderia corresponder àquilo que seria necessário para um festival de tamanho médio ou grande em Portugal. Os mochileiros entram, validam o cartão (automaticamente surgindo no computador a respetiva identificação), entregam o dinheiro nas caixas, seguem para o ponto de recolha onde dizem que produto querem (por exemplo, cerveja), a botija antiga é substituída por uma nova e a mochila é fechada. Seguem para a saída, onde voltam a validar o cartão.

“Demora entre dois a três minutos. Quanto mais rápido o mochileiro rodar na nossa tenda, mais tempo ele está no evento a vender. O segredo é criar mecanismos para que a rotação aqui seja rápida.” Funciona quase como uma paragem num circuito de Fórmula 1 — tira-se um tanque vazio da mochila e coloca-se um cheio, o mais rapidamente possível.

No total, com as pessoas que trabalham nas caixas, os técnicos e os funcionários contratados em outsource — recursos humanos, advogados, contabilistas — a operação chega às mil pessoas. Bruno Leste e João Pedro Fernandes estão a supervisionar tudo e a resolver os problemas que vão aparecendo. Apesar de andarem de um lado para o outro, em constante comunicação, trabalham num contentor que serve de quartel-general e onde têm um sistema de vigilância que os permite ver em direto tudo o que está a acontecer em todos os postos de trabalho.