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Música

Massive Attack: um ataque brutal, duro (e curto) de som e mensagens no Campo Pequeno

A banda britânica está em Lisboa para celebrar o álbum "Mezzanine". Esta terça-feira, 19 de fevereiro, há mais um concerto.
Banda volta a atuar na terça-feira.

Eram 21 horas quando, com pontualidade britânica, os Massive Attack iniciaram o primeiro de dois concertos, completamente esgotados, no Campo Pequeno, em Lisboa. Entraram e saíram, 90 minutos depois, sem dizer nada, deixando as mensagens de cariz social e político para as projeções de vídeo que acompanharam o concerto desta segunda-feira, 18 de fevereiro, em Lisboa.

O motivo desta tour é revisitar o clássico disco de 1998, “Mezzanine”, e o concerto foi exatamente isso, com uma setlist com as dez músicas do álbum, e algumas versões como “I Found a Reason”, dos Velvet Underground; “10:15 Saturday night”, dos The Cure; “Bela Lugosi’s Dead”, dos Bauhaus; ou “Rockwrok”, dos Ultravox.

O público que encheu a arena estava bem composto por muitas pessoas já nos “entas”. Algo expectável para quem este disco marcou em 1998, ano da Expo de Lisboa, da guerra do Kosovo, do Titanic ganhar 11 Óscares, do Brasil levar 3-0 da França na final do Mundial, e da formação da Google. Imagino que muitos tenham desembolsado perto de três contos para comprar o CD de “Mezzanine” nesse ano.

A história dos Massive Attack começa em Bristol, no Reino Unido, em 1988, onde os cantores Robert “3D” Del Naja e Grant “Daddy G” Marshall, juntamente com inúmeros músicos, onde se destacava Tricky, gravaram o épico álbum “Blue Lines”, editado em 1991. Eles davam forma à cena musical de Bristol e a um novo género musical, o trip-hop. O single “Unfinished Sympathy”, desse disco, é um dos hinos da década de 90. Para a MTV2 é a melhor música de todos os tempos, a Pitchfork diz que é a 44.ª melhor música daquela década.

Os dois concertos estão esgotados.

O concerto foi uma autêntica bomba sonora: o som na plateia estava tremendo, com uma definição e qualidade incrível, numa atuação onde a banda não se dirigiu ao público, tendo aproveitado projeções de vídeo durante toda a atuação para comunicar, com base em criações visuais com frases que nos punham a pensar na forma como comunicamos, ou imagens que incentivavam a reações, como o óbvio assobio a fotos de Donald Trump (e o estranho silêncio às de Putin), muito por culpa de 3D, que além de músico é designer e pintor, havendo por aí o rumor de que é ele o artista Banksy.

O final do espetáculo foi abrupto. Luzes ligadas, som ambiente, nada de encore. O único senão desta noite foi isso mesmo, um espetáculo bem curto, de apenas 90 minutos, sem primeira parte, sem encores. Mas um concerto fantástico. Eis a setlist, que se deve repetir na noite desta terça-feira, 19 de fevereiro.

“I Found a Reason” (The Velvet Underground cover)

“Risingson”

“10:15 Saturday Night” (The Cure cover)

“Man Next Door”

“Black Milk”

“Mezzanine”

“Bela Lugosi’s Dead” (Bauhaus cover)

“Exchange”

“See a Man’s Face” (Horace Andy cover)

“Dissolved Girl”

“Where Have All the Flowers Gone?” (Pete Seeger cover)

“Inertia Creeps”

“Rockwrok” (Ultravox cover)

“Angel”

“Teardrop”

“Group Four”