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Música

Lisboa Soa: o festival que mistura arte sonora, urbanismo e cultura auditiva

O tema deste ano é "Migrações" e a forma como a atividade humana impacta no meio ambiente.
É na Estufa Fria.

Na 4.ª edição do Lisboa Soa, as “Migrações” são a temática central de uma nova série de performances, workshops e instalações sonoras. Neste festival de arte sonora ambiental o que interessa é o som  — mesmo que também tenha concertos. O evento arranca no dia 12 de setembro, quinta-feira, e prolonga-se até dia 15, domingo.

A partir da Estufa Fria, em Lisboa, o programa de 2019 promete tomar conta dos sentidos dos participantes para despertar a capacidade de escutar mais longe. A pretensão do festival é fazer um encontro entre a arte sonora, o urbanismo e a cultura para promover a consciência de uma nova cidadania, através do sentido auditivo.

“O Lisboa Soa regressa à Estufa Fria para uma reflexão sobre o impacto no ambiente sonoro das migrações causadas pela efervescente atividade humana. Pessoas, animais, plantas e sons estão em constante movimento, deslocando-se de um lado para o outro, silenciando ou transformando paisagens sonoras pelo caminho. Em alguns casos, nunca mais encontramos um espaço de pertença. Noutros conseguem adaptar-se e naturalizar-se. (…) Temos a estufa como exemplo de acolhimento, que protege espécies vegetais migrantes numa atmosfera controlada, ao mesmo tempo que se adapta a elas, recriando outras geografias”, diz Raquel Castro, diretora artística do Lisboa Soa.

Além das apresentações de artistas nacionais como Ivo Louro, Francisco Pinheiro, Paulo Morais, @C e o coletivo feminino Lantana, há artistas internacionais como Kathy Hinde, do Reino Unido; Vincent Martial, da França; Carlos Henrich, do Brasil e Dinamarca; e Peter Cusack, do Reino Unido.

No dia 14 de setembro, sábado, às 16h30, uma das palestras de destaque é a do jornalista e artista sonoro Peter Cusack. Ele é autor do projeto “Sounds from Dangerous Places”, que documentou a evolução de paisagens sonoras de sítios como Chernobyl e o Mar de Aral — que já foi o quarto maior lago salgado do mundo e hoje está praticamente desaparecido por causa da irrigação que desvia água do seu rio de origem. 

Outro destaque da programação é um dos maiores festivais de arte sonora do mundo: o “Tsonami”, do Chile. O evento marca a presença com um conjunto de obras e três artistas chilenos. Natacha Cabellos, por exemplo, vai trabalhar a partir da ideia de migração de plantas que não têm a sua origem no lugar que ocupam e fazem uma migração silenciosa, utilizando o próprio homem como um veículo para atravessar grandes distâncias.

Por fim, o programa inclui uma série de workshops e passeios sonoros — pensados para todas as idades — para educar o ouvido com exercícios de escuta e gravação de sons. No dia 14 de setembro, às 10h30, o artista Luís Antero irá estimular os mais pequenos com sons que fazem parte do nosso ambiente doméstico.

O Lisboa Soa começa esta quinta-feira, 12 de setembro, às 17 horas, e termina no domingo, 15, às 20h30. A programação completa pode ser vista no site oficial do festival.