Música

Jorge Palma: “Tenho a sorte de ainda não ter estragado tudo, então vamos lá aproveitar isto”

Não pretende abrandar o ritmo de colaborações, discos e concertos tão cedo, sobretudo agora que dá cada vez mais valor ao que o rodeia. “Só ao Vivo” já está à venda.

As estantes da sala não têm mais um milímetro para livros ou CD.

Numa mão uma chávena de café, na outra sucedem-se os cigarros. Os vícios de Jorge Palma resumem-se a pouco mais do que isso depois de ter decidido, há quatro anos, deixar finalmente o álcool. O que mudou desde as tentativas anteriores? Primeiro, teve um clique psicológico, sabia que tinha de passar a estar presente na sua própria vida; depois, esteve um mês no Hospital Júlio de Matos, onde conviveu com pessoas com histórias bem mais dramáticas.

Talvez por isso esteja agora numa fase mais frenética do que nunca. “Só ao Vivo” — CD e DVD gravados em 2016 para celebrar os 25 anos do disco mítico — está à venda desde 1 de dezembro, editado pela Warner, e reúne temas como “Frágil”, “A Gente Vai Continuar” ou “Bairro do Amor”. No dia 15 será possível ouvir tudo isso e muito mais à porta dos Armazéns do Chiado, em Lisboa, num concerto gratuito marcado para as 18 horas.

Jorge Palma tem ainda um disco novo pendente e escreveu um tema para o próximo Festival da Canção — só não revela quem vai interpretá-lo. Entretanto vai de férias para a Índia, uma “viagem especial, até em termos espirituais”.

Antes recebeu a NiT em casa, no centro de Lisboa. Contou-nos a história dos dois pianos que tem na sala — um deles veio de Alcochete, onde chegou a ponderar morar —, tocou uma canção francesa que não lhe sai da cabeça, mostrou onde guarda os prémios e falou, inevitavelmente, da perda recente do amigo Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés.

Leia a entrevista a Jorge Palma e veja o vídeo da visita guiada à casa do músico, que comemora em 2017 45 anos de carreira.

Está a compor alguma coisa neste momento?
Em janeiro comecei a pensar em fazer um disco e escrevi em 15 dias cinco canções que gravei com a banda. Está em pré-produção e ainda há-de ser tudo modificado. Depois fui para o Brasil, estive lá bastante tempo, voltei e tive imenso trabalho até agora. Escrevi uma música para o Paulo Gonzo, quando me pedem eu faço. Escrevi uma para o Festival da Canção.

Quem é que vai cantar?
Tenho uma ideia, escrevi com essa pessoa em mente, mas ainda não posso dizer.

É mulher ou homem?
É um homem. Nunca tive problemas com canções no feminino ou masculino mas acho que esta, particularmente, fica bem na voz de um homem.

Onde é que costuma compor? É sempre ao piano?
Muitas vezes é ali [aponta para o sofá da sala de estar], na cama ou no café que as ideias surgem. Escrevo ou ponho no dictafone do telemóvel. Às vezes venho para aqui [no piano de cauda] explorar ideias ou pego na guitarra. Mas normalmente é de cabeça primeiro, começo a imaginar a música e a pensar nos caminhos ou naquela frase musical.

Qual é o instrumento mais antigo que tem em casa?
Em termos de piano é este [um Yamaha branco de parede]. É do ano em que o meu filho mais velho nasceu, 1983, e foi cobiçado por mim e pelo Manuel Faria, que era dos Trovante. Eu consegui antecipar-me [risos]. Foi nessa altura que decidi retomar os estudos clássicos e foi neste pianinho que estudei todo o material até terminar o curso superior.

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