Música

Jantámos com Diogo Piçarra na renovada Oficina do Duque

Nos restaurantes é daquelas pessoas que pedem a fruta da época, nunca tinha ido a um festival antes de ser famoso e nas pausas da tour de “Do=s” anda viciado na série “Vikings”. Esta é a entrevista mais descontraída ao cantor — e quase nos esquecíamos de falar de música.

Diogo Piçarra escolhe uma das especialidades, rabo de boi, para jantar

Vai ao ginásio e é raro que não haja alguém a fotografá-lo, na rua já sabe que vai parar várias vezes para beijinhos e, até no trânsito, olha para o carro do lado e há gente a filmá-lo. Todos os dias uma pessoa ou outra publica alguma coisa dele, captada à socapa, nas redes sociais. Mas Diogo Piçarra diz que é normal ou, pelo menos, o normal dele agora. Quando a NiT se senta para jantar com ele na Oficina do Duque (na Calçada do Duque, em pleno Chiado), muitos olhares da sala viram-se para o músico — mas mais por causa do aparato da câmara, do microfone e das luzes do que por perceberem quem ele é. Esta noite o cenário é mais tranquilo, a maioria dos clientes do restaurante é estrangeira. 

Diogo Piçarra está numa das poucas pausas da tournée de “Doi=s” — o álbum que editou a 31 de março através da Universal e que tem temas como “Dialeto”, “Ponto de Partida” ou “Já Não Falamos” — e junta-se à NiT para mais de duas horas de conversa sobre a carreira, o único autógrafo que pediu na vida, os projetos que gostaria de ter com Ed Sheeran ou Justin Bieber, as tentativas de encontrar uma religião com a qual se identificasse e os locais proibidos para fazer tatuagens. Pelo meio há tempo para experimentar os pratos da renovada carta da Oficina do Duque, que ainda está a testar a reação dos clientes à ementa.

“Gosto muito dos talheres, de tudo aqui pendurado e da cozinha aberta”, comenta ao entrar na sala. A parede está cheia de utensílios antigos, desde colheres a esmagadores de alho, as mesas são de madeira e é junto a um dos cantos do espaço, com vista para a rua, que nos instalamos.

Perguntamos quais são as especialidades. Rabo de boi acompanhado com puré de pêra e chícharos (13€) e Sarrajão braseado com puré de raízes e soja perfumada (12€). Diogo Piçarra não hesita e pede logo a primeira sugestão, eu escolho a segunda. O nosso companheiro de jantar (Henrique Santos, da editora Universal) é, claramente, o menos aventureiro e pede um canelone de frango assado em pasta fresca (11€). Acompanhamos a refeição com vinho branco (eu não gosto de tinto e os homens desta mesa sujeitam-se às minhas restrições).

Chegamos à conclusão de que quando um restaurante tem um prato bom, o melhor é não mudar, “até no McDonald’s”. Esta quarta-feira, 19 de abril, o almoço do músico foi exatamente aí, embora agora tenha muito mais cuidado com a alimentação e a preparação física, desde que percebeu que isso podia influenciar o seu desempenho em palco.

“Não era pessoa de ir ao ginásio, fazer máquinas. Fazia umas corridinhas e para mim chegava, só que preciso de ganhar resistência para os concertos. Nestes últimos dois anos ficava doente muito facilmente”, explica.

A mudança começou em novembro, mesmo a tempo de se preparar para o novo álbum, “mais mexido” e que pede mais resistência. “Já não estou sentado ao piano, ando o tempo todo a correr”.

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