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Hungria deixa de participar no Festival Eurovisão por ser “demasiado gay”

Fonte da emissora pública do país revelou ao jornal "The Guardian" que a cobertura do movimento LGBT+ foi desencorajada pelo governo de extrema-direita.
Conchita Wusrt venceu pela Áustria em 2014.

A Hungria não vai participar na edição do próximo ano do Festival Eurovisão da Canção. A notícia foi avançada esta quarta-feira, 27 de novembro, pelo jornal britânito “The Guardian”, que falou com uma fonte da emissora pública húngara MTVA.

Apesar de não ter sido dada qualquer justificação oficial, a fonte indica que a decisão pode estar relacionada com o governo de extrema direita do país, liderado por Viktor Orbán e que não simpatiza com as ligações do concurso aos movimentos LGBT+, considerando-o “demasiado gay”.

Andras Bencsik, editor de uma revista simpatizante do governo, descreveu ainda a Eurovisão como um “rebanho de homossexuais”, afirmando que a saúde mental do país estaria melhor se não participassem no concurso.

A mesma fonte da MTVA — que transmite todos os anos o programa e organiza a competição para escolher o representante da Hungria — revelou ao “The Guardian” não estar surpreendida, já que a decisão está em linha com “a cultura organizacional” da emissora.

A cobertura positiva dos direitos LGBT+ também foi desencorajada pelo governo. No mês passado, a MTVA anunciou que o vencedor do concurso à Eurovisão vai antes participar em programas de televisão húngaros e festivais de música.

O primeiro ministro da Hungria, Viktor Orban, lançou uma política para encorajar valores de família tradicionais e disparar a taxa de natalidade do país, num clima em que os movimentos homofóbicos estão a aumentar.