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Música

Gogol Bordello: “Portugal é um país muito cool, mas vocês sabem disso”

A NiT entrevistou Eugene Hütz, vocalista da banda, pouco antes do concerto no EDP Vilar de Mouros.
Créditos: Luís Carvalho.

Eram os cabeças de cartaz do terceiro e último dia do festival EDP Vilar de Mouros, que aconteceu entre 22 e 24 de agosto. Num dia claramente menos concorrido do que o anterior, com os The Offspring a liderarem o cartaz, coube aos Gogol Bordello a tarefa de encerrarem o evento que regressa no próximo ano, de 27 a 29 de agosto.

A banda criada em Nova Iorque, nos EUA, em 1999, revelou ao mundo um novo género musical que batizou de gipsy punk — uma mistura de música cigana do leste da Europa, folclore, punk e rock. Cada membro tem a sua respetiva nacionalidade, o que se reflete na sonoridade dos álbuns.

Eugene Hütz, o ucraniano líder do grupo, é conhecido pela sua irreverência em palco e por trazer sempre consigo uma garrafa de vinho (que entorna mais, propositadamente, do que bebe). A NiT entrevistou o vocalista dos Gogol Bordello e ficou a saber que essa fama o persegue mais do que ele gostaria.

Leia a entrevista da NiT no camarim de Eugene Hütz, antes de um concerto que foi uma verdadeira festa à moda cigana. Com direito a mosh pit à frente do palco.

Como é que se sente por voltar a Portugal? Tem tempo para visitar um pouco quando estão em tournée?
Óptimo. Sim, cheguei hoje mas vou ficar aqui dois dias.

O que é que gosta mais em Portugal?
Acho que a vibe. É um país muito cool, mas vocês sabem disso [risos].

O vosso álbum foi editado em 2017. Quando é que podemos esperar o próximo?
O meu álbum a solo vai sair no final deste ano e o próximo álbum de Gogol Bordello será provavelmente um ano depois disso. O comboio nunca pára aqui.

Os vossos concertos são como uma festa louca. Qual foi o episódio mais inesperado que vos aconteceu em tournée?
Há sempre qualquer coisa, e não precisa necessariamente de ser em cima do palco [risos]. Uma vez estava a atravessar a fronteira na Ucrânia e tinha uma garrafa de vinho espanhol e parti a rolha. Como não conseguia beber o resto ia deitar fora. O guarda ucraniano que estava de serviço disse que eu era maluco por a deitar fora e disse que ia buscar um saca rolhas. Eu achei que ele estava a brincar mas ele veio e abriu o vinho. Acho que a ideia dele era que eu tinha de acabar os três terços de vinho que restavam, que deve ser o que eu faço. Como se fosse super normal. Eu dei só uns goles e disse que já tinha acabado e ele chamou-me de louco por desperdiçar o resto [risos].

Vocês têm algum ritual mesmo antes de entrar no palco?
Sim, claro. É uma coisa que eu aprendi nas aulas de teatro e que serve para quando temos várias pessoas numa peça e temos de entrar em conexão rapidamente. Por isso, sim, temos o nosso ritual, mas não fará sentido nenhum se eu o descrever. Mas faz sentido para nós.

Sendo uma banda com membros de diferentes nacionalidades, como é que isso afetou, obviamente, a vossa música, mas mais de forma pessoal?
Acho que naturalmente nós somos o tipo de pessoas que querem que isso aconteça. Não decidimos de repente juntar estas minorias todas de propósito. Para começar, eu nunca me dei com caucasianos. Por isso, é essa a história. Foi algo adequado e de forma natural para nós. Toda esta multiculturalidade.

E foi por isso que este vosso género musical inovador surgiu?
Sim, claro.

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