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Música

O furacão Anitta passou pelo Rio de Janeiro (e não sobrou quase nada)

A cantora atuou finalmente na edição brasileira do Rock in Rio, em casa. H.E.R. foi outro dos destaques da noite.
Anitta levou bailarinos consigo.

Eram várias as atrações que levaram 100 mil pessoas a comprar bilhetes para o penúltimo dia de Rock in Rio, no Rio de Janeiro, no Brasil. Por um lado, havia o concerto de Anitta que, corresse mais ou menos bem, seria sempre um marco. Depois, o nome menos popular mas um dos mais talentosos: H.E.R..

Os Black Eyed Peas e Pink eram os artistas com mais carreira e notoriedade, mesmo que já tenham passado por muitas fases diferentes nos seus já longos percursos.

Anitta deu aquele que foi, de longe, o concerto de abertura do Palco Mundo mais esperado de todo o festival. É um marco para a carreira desta estrela pop, depois de há dois anos o Rock in Rio ter rejeitado a hipótese de contratar Anitta depois do cancelamento de Lady Gaga. 

A cantora está em topo de forma. Cresceu no universo do funk e foi-se adaptando para tornar a sua música bastante mais pop e adaptada à indústria musical — ao vivo, tanto há baladas como a canção com Silva, “Fica Tudo Bem”, como hits efusivos como “Show das Poderosas”, “Vai Malandra” ou “Paradinha”, ou canções sensuais e lascivas como “Downtown”.

Os fãs correram para o Palco Mundo assim que ouviram os primeiros segundos do concerto e a multidão sabe as letras de cor e balançou durante a atuação em sintonia com o ritmo das músicas, que tão familiares pareciam.

Anitta tem dezenas de hits.

É uma produção grande aquela que Anitta leva para palco. Implica várias trocas de roupa, um grupo alargado de bailarinos e coreografias intensas e teatrais que são a maior atração do espetáculo. Anitta tanto consegue levar o lado mais cru do funk para o palco, como tons bem mais pop. Só neste dia, podia ter corrido os palcos de todo o festival ao cantar as suas participações com os Black Eyed Peas, Alesso, Projota ou Vitó, artistas que também tocaram neste sábado, o que prova a sua versatilidade.

É fácil de perceber que o sucesso de Anitta é fruto de um ótimo trabalho de estratégia de carreira, que a faz cantar com tantos músicos, dominar o espanhol e o inglês, e desenvolver temas com sonoridades tão distintas — já são dezenas de hits. Não é por acaso que a cantora é formada em Gestão.

Neste final de tarde no Rock in Rio, Anitta decidiu, em vez de agradecer aos fãs como faz tantas vezes, agradecer a si própria. É merecido porque a cantora tem todo o mérito naquilo que tem conseguido e alcançado. O Brasil está conquistado e há cada vez mais fãs no monstruoso mercado latino. A pergunta que se coloca é: até onde pode Anitta ir? Pela ambição que parece ter, suspeitamos que será longe.

A cantora teve uma multidão eufórica.

Quando regressamos ao Palco Mundo para ver H.E.R., a cantora americana de R&B que era para ter atuado este ano no NOS Alive (mas que cancelou a tour à última hora), pensamos que talvez Anitta devesse ter atuado neste horário. Havia bastante menos gente para ver Gabriella Wilson, que tem apenas 22 anos.

Apesar de jovem, H.E.R. — acrónimo para Having Everything Revealed — é super talentosa. Só nos primeiros minutos tocou baixo, guitarra e teclado. Mais tarde, até chegou aos instrumentos de percussão. Sem esquecer, claro, que também é compositora de várias das suas canções.

Apresenta um R&B moderno, assente em bastantes graves, mesmo que ao vivo a banda tenha um papel fundamental em tornar toda a sonoridade mais orgânica. O equilíbrio entre o digital e o analógico foi ideal — e lembrou-nos que faltam sons graves, e também música negra americana, no Rock in Rio. Há pouco groove e baixos comparados com a quantidade de guitarras elétricas que ouvimos.

Tem apenas 22 anos.

Em palco, a comandar a sua banda como tivesse uma carreira experiente de 20 anos, H.E.R. é poderosa, mesmo que tenha uma aparência quase frágil. O concerto teve uma grande aura de energia positiva e os fãs presentes (poucos mas fiéis) cantaram as músicas literalmente como se não houvesse amanhã. Até houve um pedido de casamento na plateia.

Pelo meio, Gabriella Wilson fez covers de Lauryn Hill, Mickael Jackson e Daniel Caesar, entre outros. Como forma de homenagear a música brasileira, da qual revelou ser grande fã, interpretou ainda uma versão musicada e coreografada de “Mas que Nada”, original de Jorge Ben Jor. Terminou com um solo de guitarra para mostrar que também sabe rockar no Rio. Depois disto, só queremos que H.E.R. venha mesmo a Portugal.

Este ano cancelou a tour europeia.