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Música

Um DJ português foi tocar ao Coachella e fez uma prova de vinhos no backstage

Holly esteve nesta edição do evento e conta toda a experiência na NiT.
Levei o rapper Young Lyxx como convidado especial.

Onde está Holly? É uma pergunta que tem sido feita nos últimos anos, de forma recorrente, por aqueles que acompanham o trabalho deste DJ e produtor português de 24 anos. Apesar da idade, Holly (cujo nome verdadeiro é Miguel Oliveira) já fez tours na Ásia, nos EUA, foi tocar à Austrália, venceu prémios internacionais, editou discos e colaborou com inúmeros músicos estrangeiros.

Nos últimos tempos tem estado a viver em Los Angeles, nos EUA, e no último fim de semana, de 19 a 21 de abril, esteve no emblemático festival Coachella, no estado da Califórnia. Atuou na sexta-feira, dia 19, num dos palcos secundários do evento. Agora, Holly relata toda a experiência em exclusivo na NiT.

“Nos dias antes não sei bem se estava nervoso, mas estava certamente ansioso. Esta foi de longe a data da qual tive mais feedback até hoje. Desde o momento em que foi anunciado até à atuação nunca tive tanta exposição por causa de um DJ set. Claro que neste caso foi por ser o português do Coachella. Por um lado, queria só fazer o festival para passar à próxima fase e poder concentrar-me noutras coisas.

Estava excitado porque era a minha primeira vez no Coachella e desde que comecei a ir a festivais de verão que sempre foi um evento que me deixou curioso: como é que será que são as coisas ali? Como é que serão as atuações? E estava um bocado preocupado para que as coisas corressem todas bem.

Como era o Coachella, queria ter um DJ set diferente e tentar fazer algo especial. Mas gosto mesmo do tipo de sets que ando a fazer e acabei por fazer um bocado o mesmo do que nas minhas últimas atuações. Acho que acabei por incluir mais músicas e produções originais minhas. Acabei por levar um amigo, um convidado especial rapper de LA que se chama Young Lyxx. Temos feito algumas coisas em conjunto.

Estive muito tempo a fazer brainstorm. Nas duas semanas anteriores estive todos os dias a pensar e a olhar para a minha sessão no software Ableton, a experimentar novas transições para ver como poderia correr. E na semana passada percebi que gostava mesmo do set que andava a fazer e alterei só algumas coisas, para ficar mais orgânico e com coisas minhas, apesar de que talvez fosse tocar para um público que não conhecesse o meu som. Passei trap, dubstep, house, drum n’ bass, techno, hip hop americano e coisas mais experimentais.

De LA até ao Coachella são mais ou menos 2h30 ou três horas de viagem. Tenho um amigo fotógrafo que foi comigo ao festival, por isso na quinta-feira à noite ele foi-me buscar a Los Angeles e fomos para casa dele, que fica a meio caminho. No dia seguinte de manhã fomos para o Coachella. A viagem foi fixe, acabas por estar sempre no meio do deserto e vês paisagens brutais. O céu é super limpo e é mesmo bonito. Estás só ali na estrada e parece mesmo que estás num filme.

Quando cheguei ao festival, a minha primeira impressão foi que aquilo era muito grande. Antes de chegar ao nosso parque de estacionamento, tive de passar por quatro ou cinco outros parques — e em cada um deles já podias fazer um grande festival com milhares de pessoas. Era mesmo gigante. 

Holly esteve a conviver com os fãs no backstage.

Antes da atuação, eu, o meu manager e mais membros da minha equipa tivemos a ideia de fazer algo diferente e juntar o pessoal para estarmos a descontrair e a conversar, sem pensar tanto no set. Queríamos fazer algo relacionado com a minha cultura, então organizámos uma prova de vinhos portugueses — para aí uns sete — desde tintos a brancos e verdes, de várias regiões. E tínhamos uma garrafa de ginjinha de Óbidos também. Convidámos amigos, algum pessoal da produção e estivemos só no backstage antes do concerto a beber vinho e a falar. Foi muito engraçado, uma boa experiência. Foi um bocado um warm-up para o set e uma oportunidade para conviver com alguns fãs. Uns dias antes da atuação fiz um pequeno convite nas minhas redes sociais e as primeiras dez ou 15 pessoas a partilhar aquele post tinham direito a ir ao backstage.

Antes da prova de vinhos ainda andei um bocado a pé pelo recinto para ver as instalações de arte e estava tudo certo, o festival era muito limpo — não vês lixo em lado nenhum — nem há qualquer falha de som. E quando achas que já viste tudo, continuas a andar e a aparecer mais e mais cenas. Eu toquei das 17h30 às 18h30. Acabei por ficar no festival até domingo de manhã, por isso consegui ver várias coisas no sábado. Estive realmente no festival e não fui só tocar lá.