Música

Jantámos com David Carreira no novo restaurante italiano de Lisboa

O músico falou do fascínio por Sylvester Stallone, de como gosta das festas de aldeia e do álbum que está a preparar para lançar em Portugal e França.

O músico está a trabalhar no sétimo álbum em sete anos.

Passa pouco das 20 horas quando David Carreira entra no Papi & Lobster, o novo restaurante de Lisboa, na zona de Alcântara. Apesar de ser uma das maiores estrelas da música em Portugal, passa despercebido, até porque quase todos os clientes àquela hora — e a sala não está cheia — são italianos. Vem jantar com a NiT, depois de um dia com várias entrevistas e antes de embarcar, no dia seguinte, quarta-feira, 10 de janeiro, num avião rumo a Toronto, no Canadá, onde está a preparar o próximo álbum.

É aí, na América do Norte, que está esta sexta-feira, 12, dia em que é lançado o seu novo videoclip para o single “Já Não Te Sinto” (a NiT já tinha mostrado as imagens de bastidores). “Vai estar um frio, vai ser para morrer [risos]”, diz-nos, já à mesa, enquanto espreita no telemóvel as temperaturas da cidade canadiana, perto dos zero graus.

O cantor de 26 anos é fã da gastronomia italiana. “Gosto muito de lasanha, massas, risottos. Carbonara, por exemplo, gosto bué e faço bem.” No Papi & Lobster começamos com uma entrada de mozzarella de búfala, manjericão, tomate e vitela; uma focaccia de farinha de arroz com vitela; e um aperitivo italiano com Prosecco. “Hoje é o meu cheat day”, anuncia quando os pratos chegam à mesa. Contudo, também adora comida tradicional portuguesa mas dispensa fast food. Restaurantes favoritos? Solar dos Presuntos; La Trattoria; o Manjar do Marquês, em Pombal, onde vai “desde puto”; ou o João Gordo, em Leiria. Costuma cozinhar em casa e muitas vezes até partilha vídeos desses momentos nas redes sociais. Diz que “é de família”. O que também é comum nos Antunes — ou Carreira, neste caso, o nome artístico pelo qual todos optaram — é o enorme sucesso na música.

O mais novo do clã não tem parado, entre concertos — em 2017 fez várias dezenas, em Portugal e no estrangeiro —, viagens, gravações de videoclips, sessões de autógrafos e de estúdio. É um workaholic mas cresceu a saber como isso era.

“O meu pai, na minha infância, sempre esteve muito tempo fora. Quando era mesmo miúdo, ele trabalhava numa fábrica e ao mesmo tempo cantava. Depois chegou a uma fase em que ele estava cá e nós vivíamos lá [em França]. Eu não o via tanto mas foi uma coisa que, para mim, foi normal. Lembro-me de quando comecei a tocar guitarra [aos 13 anos], ele tinha muitos concertos e ensinava-me dois acordes de cada vez, tipo sol dó. E eu passava a semana toda a tocar sol dó, sol dó. Quando ele voltava, na semana a seguir daquela série de concertos, era mi ré. E eu tocava mi ré, mi ré, mi ré. E assim sucessivamente.”

Antes do jantar passou pelo Amoreiras Shopping Center, onde, como em tantos outros sítios, um homem lhe pediu para gravar um vídeo para a filha. David Carreira acedeu ao pedido, o normal. “Quando quiseres, estás convidado a jantar na Hamburgueria do Bairro”, disse-lhe no final, em tom de agradecimento. “A sério, sou o dono, basta dizeres que vieste do lado do Pedro Branco”, garantiu um dos responsáveis pela cadeia a David Carreira, que agora conta a história à NiT.

Apesar de realmente gostar de hambúrgueres, adora treinar e fazer desporto. “O estúdio é o pior. Ficas uma tarde inteira sem comer nada e depois, quando acaba, é o que der e vier. Por isso, a regra que impus naquele estúdio é que só há queijo fresco e fiambre de peru [risos].” Afinal, o seu primeiro sonho era ser jogador de futebol. E foi defesa central nas camadas jovens do Sporting, só desistiu aos 18 anos. “Não tinha jeito. É difícil, o futebol é complicado. Quando chegas aos 18, entras verdinho nos seniores e de repente jogas com pessoal de 20, 25, 30 ou 35 anos, conhecem os truques todos. Não tinha nenhuma proposta muito boa, estava lesionado e acabei por entrar nos ‘Morangos [com Açúcar’].”