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EDP Vilar de Mouros: The Offspring ainda estão na validade, e por muito tempo

Os cabeças de cartaz atuaram na sexta-feira, 23 de agosto, no festival EDP Vilar de Mouros.
Créditos: Luís Carvalho.

Pó. Pó é a palavra que descreve o concerto dos The Offspring que aconteceu no festival EDP Vilar de Mouros na sexta-feira, 23 de agosto. O aguardado regresso da banda norte-americana, após o concerto de 2012 no Rock in Rio Lisboa, foi tudo aquilo que os fãs esperavam.

O mosh pit, na frente da plateia, era de tal forma grande e intenso que a nuvem de pó não permitia ver o palco nos planos afastados que as câmaras de vídeo do festival captavam para os ecrãs laterais. “Esta plateia está a pegar fogo”, disse a certa altura Noodles, o guitarrista da banda.

No final da tarde, quando a NiT estava pelo recinto, um homem comentava que a banda “já estava velha”. Criados em 1984, na Califórnia (EUA), os The Offspring chegaram ao EDP Vilar de Mouros para provar que ainda estão dentro do prazo de validade, e que o lugar de cabeças de cartaz ainda lhes assenta lindamente, mesmo após uma atuação explosiva de Skunk Anansie.

É verdade que a voz de Dexter Holland, vocalista, já viu melhores dias. Mas, se pensarmos bem, o punk nunca viveu de grandes vozes. A energia, a relação com o público e o número inacreditável de hits que a banda típica dos anos 1990 tem é surpreendente e permitiu uma atuação sólida, embora que relativamente pequena.

Foi 1h10 de concerto, mas onde nenhum dos grandes êxitos ficou esquecido. Houve sim, cortes nos temas, para que o line up satisfizesse os fãs. A atuação abriu com “Americana“, tema do álbum homónimo e a música onde a expressão “fuck you” é repetida inúmeras vezes. E assim se sabe logo que os anos passam, mas a irreverência, tão inerente ao punk rock, se mantém.

Seguiu-se “All I Want“, música que qualquer pessoa que foi adolescente nos anos 1990 conhece, sobretudo pelo videojogo “Crazy Taxi” — quem não se lembra de ouvir este tema enquanto conduzia que nem um louco o taxi amarelo e o levava para dentro do oceano?

A roupa, o cabelo e os acessórios mantêm-nos jovens, e, se não fossem as rugas e os quilos a mais, pensaríamos que tínhamos voltado duas décadas atrás. “Como é que estas pessoas não estão na cama? Porque sabem como festejar”, diz Noodles, após o terceiro tema (“Come Out and Play“), da atuação que começou à 1h45 da manhã.

O guitarrista continua: “Vamos agora tocar uma nova, adorava dizer-vos como se chama mas não me lembro”. Referia-se ao tema “It Won’t Get Better”. “Want You Bad“, “Gotta Get Away“, a versão sentida e ao piano de “Gone Away” (escrita por Dexter em homenagem à perda trágica da sua namorada num acidente automóvel), deixaram os fãs bem alegres. 

Mas foi em músicas como “Why Don’t You Get A Job?“, “The Kids Aren’t Alright” e “Pretty Fly” que o público, de todas as idades, delirou como nunca e a nuvem de pó se adensou. A banda californiana interpretou ainda um cover, “Whole Lotta Rosie“, dos AC/DC, neste segundo dia de festival, que esgotou.

“Obrigado. Isto é incrível”, disse Dexter Holland repetidas vezes. E foi, de facto, incrível. Ficará, certamente, gravado nos tímpanos de quem assistiu a este espetáculo no festival mais antigo da Península Ibérica.

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