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Música

Pixies: “Nunca nos vamos esquecer de Lisboa. Havia fãs a perseguir a carrinha”

A NiT entrevistou o baterista, David Lovering. O grupo está prestes a lançar um novo álbum e atua em Portugal em outubro.
David Lovering está no centro, ao lado de Paz Lenchantin.

Os Pixies são uma das bandas mais influentes do final dos anos 80 e início da década de 90. O seu rock popular com sonoridades ligadas ao surf e à praia foi determinante para que, anos mais tarde, grupos como os Nirvana ou os Arcade Fire formassem a própria identidade.

O grupo terminou em 1993 depois de algumas divergências entre os membros — mas reuniram-se em 2004 e continuam até hoje. A 13 de setembro vai ser lançado o sétimo disco de originais dos Pixies, “Beneath the Eyrie”.

O álbum é o pretexto para o concerto que a banda americana vai dar no Campo Pequeno, em Lisboa, a 25 de outubro. De qualquer forma, no espetáculo não faltarão os temas mais famosos, como “Where is My Mind”, “Here Comes Your Man” ou “Monkey Gone to Heaven”, entre outros. Ainda há bilhetes à venda por 45€.

A NiT entrevistou o baterista David Lovering, da formação original do grupo — aliás, quando os Pixies começaram, ensaiavam na garagem dos pais de Lovering. Muita coisa mudou desde então. Leia a entrevista.

O vosso próximo álbum será “Beneath the Eyrie”, que sai no próximo mês de setembro. Como foi construir este disco?
Acho que foi mais fácil do que o anterior. Só tínhamos três semanas para o fazer, era num sítio idílico numa zona de floresta, mas aqui a diferença é que já tínhamos as canções antes de irmos para o estúdio. E quando conheces as músicas tens aquela confiança — em vez de entrares lá completamente no escuro. Foi muito bom.

Ajuda estarem num ambiente desses para gravarem um álbum?
É agradável e é um luxo que nós temos ao podermos gravar num sítio como aquele, mas devo dizer que estávamos num local bastante remoto — se quisesses ir buscar alguma coisa para comer era bastante difícil [risos]. Tem vantagens e desvantagens, mas era um sítio lindo e correu bem.

Os Pixies começaram nos anos 80. Como é que mudou a vossa forma de fazer música ao longo do tempo?
Acho que não mudou. Não é uma fórmula, mas sempre tivemos o mesmo processo. O [vocalista e guitarrista] Black Francis é muito bom compositor, ele passa-nos coisas e nós começamos a tocar numa jam session — e sempre foi assim, esse formato nunca mudou.

A única diferença, suponho, têm sido as condições.
Exatamente, essa é a única diferença. E já o fazemos há tanto tempo — desde 1986 —  que somos um pouco mais profissionais naquilo que fazemos. Pelo menos pensamos que somos [risos], e acreditamos que conseguimos fazer as coisas.

Em relação à vida na estrada, das digressões, também não têm existido grandes alterações?
Não, não tem havido grandes mudanças nas tours. Acho que a única — mas mesmo a única — diferença quando estamos a dar um concerto é que fazemos mais festivais e têm aqueles ecrãs gigantes. Eles não existiam quando nós éramos uma banda bebé. Agora quando estou a tocar tenho de ter essa a consciência: agora as pessoas estão mesmo a ver-me [risos]. É a única diferença, de resto está tudo igual. As maiores diferenças são os meios, porque existem redes sociais, o YouTube, muitas formas de ouvires música. Nós estamos mais velhos, mas não vejo isso como… as editoras já não existem como existiam, mas acho que isso não é um problema, com todos os meios que há. Não nos afetou muito.

Continuam a sentir-se tão relevantes como eram nos anos 80 ou 90? Ou quando regressaram em 2004?
Queremos pensar que ainda somos relevantes. Quer dizer, a única razão para termos começado a gravar músicas de novo — a partir de 2011 — foi porque, quando nos reunimos em 2004, estávamos apenas a tocar canções antigas. E estava tudo bem, foi ótimo fazer isso, mas depois de sete anos — isso já era um período maior do que aquele em que tínhamos existido no nosso início, quando tínhamos criado aquelas músicas. E foi surreal, era estranho pensar nisso. Começámos a pensar e éramos uma banda, aquilo era o que fazíamos. Por isso começámos a gravar de novo.