NiTfm live

Música

Crítica: Queriam os melhores? Tiveram os melhores — KISS

A “Klassica” banda nova iorquina regressou a Portugal para um concerto no Estádio Municipal de Oeiras, nesta terça-feira, 10 de julho.

Na primeira parte estiveram os sempre competentes Megadeth, naquele que foi o primeiro dia do Legends of Rock, sendo o segundo dia preenchido pelos Dead Dasies e os Scorpions.

Ir a um concerto dos Kiss é quase como ir ao circo. Grande parte do público pinta-se de Paul, Gene, Ace ou Peter (estes dois últimos já não estão na banda, mas quem os substitui usa a mesma pintura facial). E é um evento familiar. Aliás, confesso, os Kiss eram a minha banda preferida quando tinha 5 anos. Não sei se por culpa do “I Was Made For Loving You” ou se pelas pinturas e capas de discos, mas que ouvia o 45 rotações em repeat, ouvia.

Em 1999, andava eu numa roadtrip pela Califórnia, quando os vi pela primeira vez ao vivo. E se as pinturas nos fãs em Oeiras eram poucas, em Anaheim eu era dos poucos de cara descoberta.

Um concerto dos Kiss mete ainda muita pirotecnia, o Paul voa pelo público, e claro, imensos hinos de Classic Rock que fazem parte do catálogo da banda, que já vendeu mais de 100 milhões de discos no mundo inteiro. É fácil bater o pé e entoar os refrões como “I wanna rock n roll all night and party every day” ou “Loud, i wanna hear it loud, right between the eyes”.

O concerto é uma festa do início ao fim, e foi isso que os Kiss se entregaram num estádio meio vazio ou meio cheio.

Para abrir a noite os Megadave, ups, Megadeth, despejaram uma hora de Metal, onde se destacaram os êxitos “Symphony of Destruction”, “Hangar 18” ou “Peace Sells”. Faltaram muitas das preferidas do público, num concerto bastante curto, mas poderoso, onde Dave Mustaine ainda soa a Dave Mustaine. Infelizmente a tardia abertura de portas fez com que grande parte do público fosse entrando a conta gotas durante a atuação dos Megadeth.

E depois, “Alright, Lisbon. You wanted the best? you got the best! The hottest band in the world – KISS!” a épica abertura que os fãs se habituaram a ouvir desde os discos ao vivo “Alive”, e que os Guns N’ Roses adotaram, ironicamente, na abertura dos seus concertos na versão “You wanted the best? well they didn’t fuckin’ made it. So here’s what you get: From Hollywood, Guns N’Roses”.

Para delírio dos fãs, os Kiss apresentaram um set cheio de hits, abrindo logo com “Deuce”. Muitos dos presentes ainda nem tinham nascido na única vez que tinham atuado em Portugal, no Dramático de Cascais em 1983, naquele que foi um concerto histórico para a banda, o primeiro sem as pinturas – sim, os Kiss andaram de cara à mostra grande parte dos anos 80 e 90, ainda antes de Gene Simmons se tornar uma estrela de reality shows.

E continuaram a despejar hits como se fossem um autêntico comboio de glam e rock ‘n’ roll, com as suas músicas fáceis e um espetáculo ininterrupto de luzes e pirotecnia. Um Paul Stanley que, mesmo longe dos seus melhores dias, manteve todo o estádio de sorriso na cara, mãos no ar e cantar até ao fim do concerto, e claro, o habitual número de Gene a cuspir a fogo em “Firehouse” e sangue em “God Of Thunder”, e de Paul a “voar” até à régie em “Love Gun”. O encore é irrepreensível com “Cold Gin”, “Detroit Rock City” e “Rock and Roll All Nite”.

Foi uma noite como se podia esperar, um concerto que vale tanto pela música como pelo espetáculo único que só os Kiss, qual personificação de figuras B.D., podem proporcionar.

Setlist:

“Deuce”

“Shout It Out Loud”

“War Machine”

“Firehouse”

“Shock Me”

“Say Yeah”

“I Love It Loud”

“Flaming Youth”

“Calling Dr. Love”

“Lick It Up”

“God of Thunder”

“I Was Made for Lovin’ You”

“Love Gun”

“Black Diamond”

Encore:

“Cold Gin”

“Detroit Rock City”

“Rock and Roll All Nite”