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Música

Boss AC: “Trabalhava num banco e detestava. Atirei-me de cabeça para a música”

O rapper e produtor português lançou em 2018 um EP e um álbum. A NiT falou com ele.

A vida continua para o “Patrão” Boss AC. Foi há 25 anos que o ouvimos pela primeira vez em “A Verdade”, tema que fazia parte da primeira compilação de rap em Portugal, a histórica “Rapública” — quando o género ainda era visto com desconfiança.

O resto, como se costuma dizer, é história. Lançou inúmeros álbuns, criou hits como “Baza Baza”, “Anda Cá ao Papá”, “Hip Hop (Sou Eu e és Tu)”, “Princesa (Beija-me Outra Vez)”, “Carta para o Pai Natal” ou o mais recente “Sexta-feira (Emprego Bom Já)”. Colaborou com nomes como Rui Veloso, Mariza, Gabriel o Pensador ou o cantor americano Akon.

2018 também foi um ano marcante para o rapper e produtor português. Começou por lançar o EP “Patrão” e, passado alguns meses, o álbum “A Vida Continua…”, que também incluía várias faixas do trabalho de curta-duração.

A NiT visitou o estúdio de Boss AC em Lisboa, um espaço partilhado onde trabalha há cerca de cinco anos, para uma entrevista a propósito dos dois projetos mais recentes.

Este foi um ano em que esteve particularmente ativo em lançamentos: teve o EP “Patrão” e depois o álbum “A Vida Continua…”. Pensou nisto ao pormenor ou acabou por acontecer?
A ideia inicial era fazer um single e não um EP. Já tinha muitas das músicas que acabaram por fazer parte do “A Vida Continua…”, mas houve muita indecisão em qual seria o single. E lembrei-me: por que não fazer um EP? Era algo que nunca tinha feito. Serviu também como teste. Portanto, na altura do EP já se tinha pensado no álbum, mas foi tudo um work in progress. O EP foi uma espécie de aperitivo.

E o EP está diretamente ligado ao álbum, porque até partilham algumas faixas, e vem um no seguimento do outro.
Sim, sem dúvida. O EP acaba por ter uma vibe diferente. Era mais de afirmação, tipo “estou cá”. O nome, os temas, o próprio single “Queque Foi”. Era um EP de cinco temas e queria fazer um álbum curto. Achei que não fazia muito sentido, à posteriori, fazer um álbum de 10 ou 12 músicas com cinco que já tinham saído. Assim parecia que estava só a lançar outro EP. O “Queque Foi” correu tão bem que tornei-o simplesmente o single do EP e já nem entrou no álbum. E houve duas músicas que acabaram por não sair e assim o EP tem vida própria. Apesar de o “A Vida Continua…” ser o meu sexto álbum, é quase como se fosse o 6,5.

No início de 2018 tinha dito que este seria um certo regresso às origens, sobretudo no EP, e o álbum é mais eclético: tem músicas mais ligadas a Cabo Verde, temas mais R&B… foi algo que procurou fazer, tornar este trabalho maior mais rico e diverso?
Foi um regresso às origens mais na forma criativa porque foi um trabalho mais centrado em máquinas e em samples do que o anterior, com menos preponderância da banda. Foi a minha fórmula quase one man show. Escrevi, produzi o álbum todo, gravei, alguns temas até os misturei. Quanto à sonoridade, sim, há uma linha de tempo. Ao fim de alguns anos disto é normal que eu tenha feito uma pausa para perceber o que quero fazer, onde estou, para fazer uma reflexão. Há coisas muito mais próximas do que aquelas que fazia no início da minha carreira, mas quis também um álbum atualizado que fosse de 2018 — aliás, de 2019.