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Música

Bon Jovi não está no seu melhor, mas conquistou o público (e até beijou uma fã)

A NiT assistiu ao concerto da banda americana no Rock in Rio, no Brasil, que tocou temas clássicos como “It’s My Life” ou “Bed of Roses”.
Jon Bon Jovi tem já 57 anos.

Vamos começar pelo lado mau: os Bon Jovi já não são o que eram. Mas isso é natural. A prova foi dada no terceiro dia da edição deste ano do Rock in Rio no Rio de Janeiro, no Brasil, que a NiT está a acompanhar. 

A voz de Jon Bon Jovi está claramente em declínio e já não se encontra nas melhores condições, o que faz com que o resto da banda tenha de apoiar o vocalista com coros fortes. Além disso, o volume do microfone do líder do grupo estava bastante baixo — numa tentativa de disfarçar os problemas, que também não funciona como uma solução.

Enquanto cantam temas icónicos como “Wanted”, “Lay Your Hands On Me” (momento em que Bon Jovi desceu do palco para ir de encontro ao público), a super enérgica “Bad Medicine” ou a balada “Always”, já não sentimos o poder que os Bon Jovi tinham nos anos 80 e que se foi dissipando com a idade — que, como sabemos, não perdoa a ninguém.

Mal comparando, os Bon Jovi são aqueles avós queridos e fofos que adoramos mas que se calhar já estão numa fase decadente das suas vidas apesar de tentarem simular que tudo continua normal. E a tendência, como sabemos, é para continuar.

Não podemos elogiar também as molduras virtuais que preencheram os ecrãs gigantes do Palco Mundo — e os cenários e passagens de vídeo dignas dos anos 90, ou de uma geração que se tentou modernizar e adaptar aos tempos atuais mas não conseguiu da melhor forma. Como os avós, portanto.

Contudo, temos de olhar para o lado positivo. Apesar de tudo isto, e da sua atual cabeleira branca, Jon Bon Jovi é o eterno carismático frontman. O que lhe falta na voz tem de sobra na energia que usa para saltar freneticamente quando é preciso, caminhar de um lado para outro no palco e dançar ao som das guitarras enquanto contagia milhares e milhares de fãs. 

Bon Jovi continua carismático e enérgico.

O charme do vocalista mantém-se (basta observar o seu sorriso) e foi preciso chegarmos a “Bed of Roses” para uma fã subir a palco e começar a dançar com Bon Jovi — que, passados alguns minutos, a beijou na boca durante a canção romântica.

“You Give Love a Bad Name”, “It’s My Life” ou “Livin’ on a Prayer” foram os temas que fizeram o público usar as gargantas para cantar bem alto — sendo que no resto do concerto de duas horas a multidão esteve bastante morna.

Isso notou-se também no encore falhado da banda (tinha-me esquecido deste pormenor mau). Os encores faziam sentido quando eram genuínos e espontâneos, quando um concerto terminava e o público gritava e puxava tanto pelo grupo que os músicos não podiam fazer mais nada se não regressar a palco para tocar mais um par de canções.

Não é isso que acontece, há vários anos, com os encores programados e definidos à partida — que, lá está, podem parecer bastante forçados. O que aconteceu neste espetáculo foi um ótimo exemplo disso, já que a plateia não fez praticamente qualquer esforço para que os Bon Jovi regressassem para tocar as últimas faixas e muita gente entretanto saiu (até porque segunda-feira, o dia seguinte, é dia de trabalho). Logicamente, a banda acabou por regressar ao palco.

De qualquer forma, tiveram o enorme mérito de esgotar o seu dia de Rock in Rio, num recinto que acolhe mais de 100 mil pessoas, e isso é totalmente legítimo e temos que dar valor. Celebrar a nostalgia não tem nada de mal, num concerto caloroso mais dedicado à música e com poucas palavras entre canções, mesmo que tenham sido certeiras. Bon Jovi foi bem recebido no Rio de Janeiro e vestiu mesmo a camisola ao envolver-se na bandeira brasileira durante “Blood on Blood”.