Música

Os Azeitonas: “90% do trabalho de um músico é esperar”

O trio lançou “Banda Sonora”, o primeiro disco sem a ajuda de Miguel Araújo.

Este trio teve de começar a compor sozinho.

Era inevitável. Em outubro de 2016, Os Azeitonas anunciaram que Miguel Araújo — o principal compositor, guitarrista e vocalista da banda — iria abandonar o projeto. Afinal, Miguel Araújo tinha acabado de esgotar durante vários meses concertos nos coliseus de Lisboa e Porto com António Zambujo, num recorde sem precedentes que até resultou num livro. Tinha-se tornado impossível conciliar a sua agenda de concertos com a da banda.

O resto do grupo, composto por Marlon e o casal Nena e Salsa (que acaba de ter um filho) — que é como quem diz Mário Brandão, Luísa Barbosa e João Salcedo — chegou a pensar desistir, depois de perder o principal compositor e líder mediático do projeto. Em vez disso, meteram-se num estúdio para criar “Banda Sonora”, o primeiro disco da nova vida d’Os Azeitonas, editado pela Warner Music Portugal. Está à venda por 15,90€ e pode ser ouvido no Spotify.

Foi a propósito desse livro que levámos a banda ao sítio mais indicado para uma entrevista: uma loja de azeites premium, azeitonas e produtos derivados, a D’Olival, que fica na zona de São Bento, em Lisboa.

Trouxemo-vos a esta loja porque tem tudo a ver com o vosso imaginário português e com o nome da banda. Porquê o nome Os Azeitonas, afinal?
Marlon — O nome surgiu por acaso, porque a ideia inicial da banda era só juntar uns amigos e fazer umas músicas na brincadeira, não havia intuito de levar a banda adiante, a um nível profissional, ter uma carreira… por isso o nome surgiu entre férias de verão, copos e uma guitarra, não havia nome e ficou Os Azeitonas, por ser uma banda portuguesa e tal, ficou e nunca se questionou.

Não estavam a comer azeitonas na altura da escolha?
Marlon — Não, nem isso. Foi mais a cena de ser música portuguesa.

Gostam todos de azeitonas, suponho.
Nena — Bastante.

Marlon — Por acaso sim, não foi por gostarmos, mas sim.

Já que estamos a falar de nomes, o vosso novo álbum chama-se “Banda Sonora”. É a vossa “Banda Sonora” dos últimos cinco anos, desde que editaram o último disco?
Marlon — Chamámos “Banda Sonora” porque resolvemos fazer um álbum em que cada música é uma história, vá. Cada uma é um episódio de um filme. Essa ideia começou com o “Cinegirasol”, o videoclip que lançámos antes do álbum sair, em 2016, e dessa história inicial surgiram as personagens para todo o filme, que é contado nas várias músicas. Os nomes dos nossos álbuns geralmente aparecem mesmo no final, já quando está tudo gravado. Geralmente as bandas sonoras vêm depois dos filmes, neste caso é ao contrário: fazemos a música e depois é que vem o filme, através dos videoclips.