Livros

Falámos com o tipo que faz livros infantis para adultos — e que já vendeu 4 milhões de cópias

“As Mamãs”, “Mindfulness” e “A Ressaca” são os primeiros livros de Joel Morris e Jason Hazeley editados em Portugal. Todos têm reflexões sarcásticas e hilariantes sobre estes temas.

Joel Morris (à esquerda) e Jason Hazeley (foto de Idil Sukan, cedida pela Vogais)

“A mamã tem sempre uma bolsa consigo. Contém todo o tipo de coisas importantes e pesa tanto como um micro-ondas cheio de sapatos.” Todas as mães sabem o que é carregar mais tralha dos filhos do que delas próprias e conseguem rever-se nesta frase, criada por dois guionistas e escritores britânicos, Joel Morris e Jason Hazeley.

Esta é uma das histórias de “As Mamãs”, editado pela Vogais a 20 de março, e faz parte da coleção “Pequenos Clássicos Ilustrados” — com mais dois títulos traduzidos, “Mindfulness” e “A Ressaca”, à venda (8,99€) desde a mesma altura —, inspirada numa outra série da editora Ladybird que, entre os anos 40 e 80, explicavam a vida às crianças através de frases simples acompanhadas por ilustrações.

Os dois autores fazem agora o mesmo mas tendo como público os adultos e usando episódios sarcásticos e facilmente aplicáveis à vida de todos. Cada um começa por escrever uma história e depois vão trocando e reescrevendo até chegarem ao tom perfeito. O mais curioso é que as ilustrações fazem, de facto, parte da coleção original da Ladybird e não foram minimamente alteradas.

A coleção chegou às lojas britânicas em novembro de 2015 e vendeu 1,5 milhões de exemplares em quatro meses. Os três primeiros volumes estão agora em Portugal e a NiT falou com um dos autores, Joel Morris, por e-mail. Leia a entrevista e veja ainda duas páginas de cada livro.

Como é o processo de criar um livro destes? Primeiro decidem o tema e depois reúnem as histórias ou vão apenas anotando coisas que vos vêm à cabeça e juntam-nas num livro?
Primeiro decidimos o tema. Tem de ser algo com o qual as pessoas se identifiquem mas também algo sobre o qual consigamos encontrar uma nova abordagem. Claro que “Hipsters” ou “A Ressaca” têm imensas ideias novas e engraçadas mas, para algo tão familiar como “As Mamãs” ou “Dads” [ainda sem tradução portuguesa], precisávamos de um ângulo fresco e decidimos pedir emprestado o velho formato da coleção da Ladybird de “Como Funciona” — falar de pessoas como se falava de carros ou máquinas a vapor e explicá-las como se fossem peças complexas de maquinaria. Depois reunimos o máximo de observações que conseguimos da nossa experiência, dos nossos amigos, ao procurarmos pessoas a falarem sobre as suas vidas na Internet, a ouvir nos autocarros e por aí fora. No final é uma questão de transformar essas observações em piadas, piadas em prosa ao estilo Ladybird, e juntá-las a ilustrações. Demoramos cerca de três semanas por livro.

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