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A primeira Fnac abriu há 20 anos em Portugal — e esgotou quase tudo num dia

O espaço do Colombo, em Lisboa, foi invadido e esvaziado. Afixaram-se avisos a pedir desculpa aos clientes e foram precisos reforços durante a noite para repor tudo.

28 de fevereiro de 1998, 10 horas em ponto. No momento em que as grades subiram, a euforia do lado de fora inundou o silêncio do interior. A Fnac acabava de abrir a primeira loja em Portugal, no Centro Colombo, em Lisboa, e os imaculados corredores e prateleiras rapidamente se transformaram numa espécie de campo de batalha.

“Foi uma coisa absurda, parecia uma invasão. Havia muita gente à procura de muita coisa”, recorda Vera Carvalho, que lá estava nesse dia e que agora é responsável pelo departamento de livros em Alfragide.

A segurança teve de ser reforçada devido às centenas de pessoas que quiseram descobrir logo nos primeiros minutos que conceito inovador era este que tinha nascido em França em 1954.

Antes de se juntar à Fnac, em setembro de 1997, Vera Carvalho trabalhava noutro grupo ligado aos livros. Contactava editores e fornecedores e conhecia a Fnac das viagens a Paris, França. Em Portugal era uma ideia completamente nova de distribuição cultural e daí o interesse inicial ser logo tão grande.

“O que mais recordo dessa época era a diversidade. Tínhamos tudo, de discos a televisores, passando por livros de autor”, conta à NiT.

Foi esse mundo sem fim que maravilhou os clientes. “Chegavam a telefonar aos amigos para irem logo nesse dia. Numa sala ouvi alguém a dizer: ‘Oh pá, tens de vir cá. Têm discos, têm tudo.’”, diz Miguel Neves, responsável do departamento de comunicação da loja do Colombo.

Naquelas primeiras 24 horas as prateleiras ficaram vazias mais rapidamente do que se previa. “Foi preciso colocar uma sinalética, folhas coladas nas mesas e nas estantes, a pedir desculpas aos clientes e a dizer que estávamos a repor os produtos.”

No dia seguinte a situação estava normalizada mas, para isso acontecer, foram precisos reforços durante a noite para reorganizar tudo.

Duas décadas depois é impossível saber qual foi o primeiro produto comprado na inauguração. “Na altura não se registavam essas coisas informaticamente e os rolos das caixas foram destruídos entretanto”, lamenta Miguel Neves, que começou como vendedor na secção de discos, especializado em novas tendências.

A Fnac não sabe qual o ano desta campanha porque não havia registos.

O que há desde o início é a base de dados, uma grande ajuda para os vendedores que nem sempre conseguem identificar logo o que as pessoas pretendem.